segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"A Natureza da Mente" Parte 1 de 8

Conferência proferida pelo Lama Denys Rinpoché no dia 27 de Novembro de 2009 na FLUL. O evento foi dinamizado pelo projeto Filosofia e Religião e teve o apoio da Sangha Rimay Lusófona e da União Budista Portuguesa.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010

Que 2010 traga uma Felicidade Infinita a todos os seres sem nenhuma exceção e possamos nós ser capazes de dar o nosso contributo para que tal aconteça.
Sarva Magalam


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Há espaço para altruísmo e compaixão no nosso sistema económico?

Is there room for altruism and compassion in our economic system?

On April 9 - 11, 2010, at the Kongresshaus Zürich, economic leaders and leading minds in neuroscience, applied economics, philosophy, contemplative science and anthropology will discuss moral and ethical dimensions of our economic system.

The ongoing global financial crisis clearly shows how vulnerable economic systems are to human behavior, particularly to corruption and greed. This conference focuses on the question: can we develop economic systems which deliver prosperity and welfare, while at the same time reward altruism and compassion?

Speakers include:

The XIV Dalai Lama
William George, M.B.A., Harvard Business School
Tania Singer, Ph.D., University of Zürich
Lord Richard Layard, Ph.D., London School of Economics
Antoinette Hunziker-Ebneter, M.B.A., Forma Futura Invest, Inc.
Matthieu Ricard, Ph.D., Shechen Monastery

Questions include:

Is it possible to develop an economic system which rewards a whole society as opposed to only one individual?
Can we conceive of a system that not only recognizes competitive success, but also recognizes cooperation and compassion?
What needs to change in the thinking structure of economists in order to facilitate that change?
Can an economic system be developed that resolves real societal problems related to poverty and environment?
The Mind and Life XX conference offers a unique opportunity to follow a high-level interdisciplinary exchange between scientists and economists.

The whole dialogue will be held in English. Please find attendance and registration details on our homepage: www.compassionineconomics.org.

Kind regards,

The Mind & Life Institute

domingo, 6 de dezembro de 2009

Oportunidade de mudança


"Quer estejamos ou não a fazer algo de válido com as nossas vidas, o tempo nunca espera, antes continua a fluir. E não só o tempo corre sem impedimentos, também a vida continua a mover-se em frente, tão constante como o tempo. Se alguma coisa correu mal, não podemos inverter o fluxo do tempo e tentar de novo. Neste sentido, não existe uma genuína segunda oportunidade. Daí que se torne crucial, para aquele ou aquela que segue a via do espírito, examinar constantemente as suas atitudes e acções. Se nos examinarmos cada dia com cuidado e uma mente atenta, verificando os nossos pensamentos e motivações, bem como as suas manifestações no comportamento externo, pode abrir-se em nós uma oportunidade de mudança e aperfeiçoamento pessoal."


S.S. XIV Dalai Lama, O Budismo Tibetano, Lisboa, Editorial Presença, 2001, p.16


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"Reconhece o que está diante do teu rosto"

"Jesus dizia:
Reconhece o que está diante do teu rosto
e o que te é oculto te será desvelado"

- Evangelho de Tomé, 5.

Agantuka Sutta: Para todos os que vêm


Agati Sutta: fora do rumo
Traduzido a partir da versão inglesa de
Maurice O'Connell Walshe, in
http://www.accesstoinsight.org/tipitaka/sn/sn45/sn45.159.wlsh.html

“Suponde, praticantes, que há uma hospedagem. Viandantes vêm do leste, do oeste, do norte, do sul para se hospedarem nela: nobres e brahmanes, mercadores e servos. Da mesma forma, praticantes, um praticante que cultive o Nobre Caminho Óctuplo, que pratique assiduamente o Nobre Caminho Óctuplo, compreende, com o mais elevado conhecimento, que esses estados são para ser assim compreendidos; abandona, com o mais elevado conhecimento, esses estados que são para ser abandonados dessa forma; e cultiva, com o mais elevado conhecimento, os estados que são para ser cultivados dessa forma; chega à experiência, com o mais elevado conhecimento, desses estados que são para ser experienciados dessa forma, e cultiva, com o mais elevado conhecimento, os estados que são para ser cultivados dessa forma.”
“Quais, praticantes, são os estados a serem compreendidos com o mais elevado conhecimento?”
“São os cinco grupos do apego. Quais? O grupo do corpo, o grupo das emoções, o grupo da percepção, o grupo das formações mentais, o grupo da consciência...”
“Quais, praticantes, são os estados a serem abandonados com o mais elevado conhecimento?”
“São a ignorância e ambição.”
“E quais, praticantes, são os estados a serem experienciados com o mais elevado conhecimento?»
“São a Sabedoria e a Libertação.”
“E quais, praticantes, são os estados a serem cultivados com o mais elevado conhecimento?
“São a calma e a absorção meditativa (insight).”
“E como um praticante que cultiva o Nobre Caminho Óctuplo, que assiduamente pratica o Nobre Caminho Óctuplo, compreende…, abandona…, chega à experiência…, cultiva… com o mais elevado conhecimento esses estados que são para serem dessa forma compreendidos, abandonados, experienciados, cultivados?”
“Desta forma , praticantes: um praticante cultiva a Visão Recta... A Recta Concentração que se baseia no desapego, na serenidade, levando à maturidade da entrega total. Dessa forma ele, ou ela, compreende..., abandona..., chega à experiência..., cultiva, com o conhecimento mais elevado, aqueles estados que são para serem dessa forma compreendidos, abandonados, experienciados, cultivados."

sábado, 28 de novembro de 2009

Recordações do Curso de Budismo Tibetano

Disse Tsering Paldron, no curso intensivo de Budismo Tibetano realizado na UBP em Lisboa no ano passado o seguinte: para nós, praticantes da via de Buda, meditarmos todos os dias, mesmo naqueles em que não há vontade para isso, pois mais tarde iríamos recolher o fruto. Recordo-me também de ouvir numa das suas aulas que a verdadeira liberdade reside em não fazer aquilo que desejamos. Que belo curso! Julgo que na minha vida não aprendi tanto como aprendi naqueles Sábados magníficos, a ouvir a acutilância de Paulo Borges, o eruditismo de António Teixeira e a bondade e erradiância alegre e iluminada de Tsering Paldron.

Mas, para além de aprender, frisavam eles muitas vezes que os ensinamentos assemelham-se a uma jangada que nós usamos para atravessar um rio e que uma vez alcançada a outra margem - a margem da iluminação - que seria um fardo acarretá-la às costas, ou seja, era preciso abandoná-la. Sabedoria de Buda Shakhiamuni, creio eu... Em dezoito anos de escola frequentados por mim desde menino até  adulto, nunca tal sabedoria me fora transmitida. E no entanto, julgo ser das afirmações mais profundas que ouvi. E no entanto, na escola aprendi a ser adulto para agora querer desaprender e voltar a ser menino.

Diziam os professores que fazer discursos sem aplicar as suas ideias à vida quotidiana era idêntico a proferir palavras vãs, uma acção causadora de véus mentais. Não me esquecerei aquele episódio quando, num intervalo, o professor António Teixeira deixa cair, acidentalmente sobre a sua roupa, água quente para fazer chá... Impávido e sereno, o professor foi buscar um pano e resolveu a situação... Não é esta uma situação em que as pessoas normalmente se enervam ou entram em pânico?

Quem medita com o professor Paulo Borges certamente já reparou na sua voz grave, profunda e serena com que conduz a prática. As nossas mentes inquietam-se pois são como macacos que saltam de galho em galho (como escreveu Mingyour Rinpoche), mas a sua voz, que dá a sensação de provir das profundezas da terra, corta com a ilusão dos pensamentos conceptuais e da vanidade das emoções que fluem permanentemente na nossa mente, e conduz-nos novamente para o objecto de concentração. Um dia, diz o professor, vocês não precisarão mais de objecto de concentração e passarão, simplesmente, a repousar em estado de conciência primordial, que não é nem um estado de meditação nem de não-meditação. Quando assim repousarem  dia e noite, então poderão largar a jangada...


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vinda do Lama Denys a Portugal

A Sangha Rimay Lusófona, em colaboração com a Sangha Rimay Internacioal, com o Projeto Filosofia e Religião (FLUL) e com o apoio da União Budista Portuguesa, está a organizar a vinda do Lama Denys Rinpoché a Portugal. O Lama Denys Rinpoché virá acompanhado pelo Lama Mingyour e permanecerá em Portugal de 27 de Novembro a 1 de Dezembro.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Conferência: "Como gerir os conflitos" (3 de Dezembro de 2009)





Conferência pública de Khenpo Tseten, subordinada ao tema "Como gerir os conflitos".

Organização: Núcleo de Estudo do Dharma de Leiria (http://nucleodharmaleiria.wordpress.com/)
Data: 3 de Dezembro de 2009
Local: Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria - Auditório 1
Contribuição: 5€
Mais informações: dharma.leiria@gmail.com

A palestra será em inglês, com tradução para o português por Tsering Paldron.

Localização da Conferência:


Ver Conferência - "Como gerir os Conflitos" - 3.12.2009 num mapa maior

Compaixão

No dia 12 de Novembro foi lançada a Carta pela Compaixão e tem havido desde esse dia centenas de iniciativas por todo o planeta relacionadas com este tema. É solicitado às pessoas que assinem a carta, ao lado de pessoas como o Dalai Lama, a Rainha Rania, Peter Gabriel, Arcebispo Desmond Tutu, Isabel Allende entre tantos outros. Uma das ideias desta Carta é que é necessário passar à acção e não nos ficarmos unicamente pelas palavras.

Na próxima sessão do Núcleo de Estudo do Dharma de Leiria faremos uma abordagem ao tema da compaixão, reservando para a segunda parte da sessão a prática de tonglen ou “a troca”, de acordo com a tradição budista. Como diz Pema Chodron: “A prática de tonglen reverte a lógica habitual de evitar o sofrimento e buscar o prazer. Nesse processo, nós nos libertamos de padrões muito antigos de egoísmo. Começamos a sentir amor, tanto por nós mesmos quanto pelos demais; passamos a cuidar de nós mesmos e dos outros. Tonglen desperta nossa compaixão e nos faz conhecer uma visão muito mais ampla da realidade.”

Noutro site encontra-se uma reflexão bem actual em que se aplicam estes princípios, denominada a sabedoria do espelho retrovisor, que vale a pena ler.Para celebrar este evento, o site TED associou-se publicando uma série de seis vídeos sobre o tema da compaixão. Estes vídeos, em inglês, abordam seis diferentes perspectivas sobre este tema, de acordo com diferentes crenças. Poderão ser um bom ponto de partida para praticar a compaixão no nosso dia-a-dia, em termos práticos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Poemas Tibetanos de Shabkar - II

A ave divina,

a bela perdiz das neves,

Procurou a erva das pradarias

e a água das cascatas;

Agora detém-se

na fronteira das neves eternas;

Na bruma dos cumes

ressoa o seu apelo musical.


Traduzido do francês.
Traduzido para o francês por Matthieu Ricard.

domingo, 15 de novembro de 2009

Da ausência

Falta-nos alguém... aquela pessoa que nós somos realmente...
Por isso, o homem passa a vida a procurar-se...
- Onde vais tu?
- Vou atrás de mim!...
E o desgraçado corre e não descansa! De noite continua a correr... É um lobisomem...
- Repousa, pobre doido!
- Não posso! Morro de saudades por mim!
O que nos aflige e consome é esta ausência em que vivemos de nós próprios, esta distância incomensurável que nos separa do nosso espectro!
É esta saudade que nos mata!
Há quem se embriague para a esquecer. César foi César por causa dela.
E Jesus foi o Messias...

Teixeira de Pascoaes, O Bailado, Lisboa, Assírio e Alvim, 1987, p.44