Depois de mais de 30 anos de conversações entre a União
Budista Portuguesa (UBP) e a Câmara de Lisboa, foi finalmente encontrado
o espaço ideal para a Casa da Paz, um projecto apresentado esta semana
e que deverá estar concluído em Setembro de 2013.
Apesar de se tratar de uma iniciativa da responsabilidade da
UBP,
Paulo Borges, presidente da organização, garante que ela será aberta a
toda a gente. "A tradição budista é uma tradição aberta ao diálogo com
outras religiões e este projecto terá actividades budistas, mas não
só. Queremos juntar na mesma mesa crentes, não-crentes, ateus e
agnósticos e sensibilizar as pessoas para uma cultura da paz, da
tolerância e diálogo."
À semelhança do que tem vindo a ser feito na comunidade cristã sediada em
Taizé,
França, Paulo Borges pretende que o centro tenha um papel de
integração e atracção, partindo da filosofia budista. O projecto revela
também uma preocupação em dinamizar o Parque Florestal de Monsanto
para que ele possa ser um "ex-líbris da cidade, para turistas e
habitantes".
Paulo Borges vê neste projecto a
possibilidade de fazer de Lisboa "um ponto de encontro, de diálogo e
harmonia entre religiões, culturas e civilizações". A ideia do
cruzamento de culturas, acrescenta, surge como "o grande desafio" do
século XXI. "Nós não podemos continuar a viver de costas voltadas,
precisamos de uma globalização que não seja apenas económica e
financeira, mas de autoconhecimento e respeito mútuo".
15 mil budistas em Portugal
Em
Portugal, o budismo tem-se desenvolvido nas últimas décadas e
estima-se que existam actualmente cerca de 15 mil praticantes. Só em
Lisboa há uma centena de pessoas que mensalmente surgem para frequentar
as actividades da União Budista, criada em 1997. Esta religião era, no
entanto, salienta o
vereador José Sá Fernandes, "a única sem templo em Lisboa".
Para
que a Casa da Paz seja possível, vai ser lançado o projecto Um Templo
para Monsanto, destinado a captar recursos para a requalificação do
espaço cedido pela autarquia para o efeito. As obras do edifício, um
antigo restaurante junto ao miradouro Luneta dos Quartéis, estão
avaliadas em 350 mil euros.
A UBP conta já com parte
desta verba, mas espera conseguir a restante através de parcerias e
eventos . "Para além do dinheiro, precisamos de apoio em serviços", diz
Marta Lucas, coordenadora do projecto. As paredes do edifício,
devoluto e coberto de graffiti, darão lugar a uma arquitectura moderna e
integrada na paisagem de Monsanto, onde o olhar se perde no verde, o
espaço ideal para o recolher silencioso e meditativo.
O
interior do espaço terá uma sala de ioga, uma biblioteca, uma
cafetaria, quartos para visita e estadia de lamas (líderes budistas) um
templo e um stupa, um pequeno monumento budista tradicional.