sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pacificar e despertar a mente pelo bem de todos os seres - Retiro de meditação - 19/21 Agosto

Casa Grande – Paços da Serra (19 a 21 de Agosto 2011)

Programa:

Dia 19:

19.00- 22.00- Acolhimento e introdução ao Retiro / jantar frugal vegetariano

Dia 20:

7.00 – Sessão de Meditação
8.00- Pequeno almoço
9.00-13.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Shamatha – estabilização da mente na atenção plena às sensações físicas, à respiração e ao fluxo das emoções e dos pensamentos.
13.30- Almoço vegetariano em restaurante de aldeia
15.00-19.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Introdução a Vipassana – A visão profunda da natureza da mente e das percepções externas e internas.
19.30- Jantar vegetariano em restaurante de aldeia

Dia 21 (neste dia o Retiro decorrerá parcialmente em silêncio)

7.00 – Sessão de meditação
8.00- Pequeno almoço
9.00-13.00 – Refúgio na liberdade, na via e na comunidade que segue a via para a liberdade. Troca/Tonglen – alquimia das emoções e abertura do coração a todos os seres.
13.30- Almoço vegetariano em restaurante de aldeia
15.00-18.00 – Os cinco treinos da atenção: viver para o bem de tudo e de todos. Introdução à meditação com mantras.

O retiro será facilitado por Paulo Borges, professor de Filosofia na Universidade de Lisboa e presidente da União Budista Portuguesa e inspira-se na via não-sectária do mestre budista Tich Nhat Hanh, que pode ser praticada por crentes de todas as religiões, assim como agnósticos e ateus.

Terá lugar na "Casa Grande", Turismo de Habitação em Paços da Serra, Serra da Estrela.

Preço por pessoa com refeições incluídas: Quarto (1 Pax) 170 euros; Quarto (2 Pax) 160 euros; Cama extra/sala (2 pax) 150 euros

Para mais informações contactar por mail ou telefone.

- É necessário inscrever-se previamente por telefone ou e-mail até 12 de Agosto
- É importante trazer almofada e tapete de meditação
- O evento só se realizará com um mínimo de participantes

Para reservas contactar:
Margarida Vasconcelos
info@casagrande.com.pt

www.casagrande.com.pt
Tlm: 934297935 (excepto de 18 a 30 de Julho)

Para mais informações sobre o retiro :
Paulo Borges
pauloaeborges@gmail.com

quarta-feira, 6 de julho de 2011

aniversário do Dalai lama

July 6th, His Holiness the Dalai Lama's birthday

Prayers for the long life of H. H, the Dalai Lama:

Kangri rawé korwé shingkam su
In the celestial realm encircled by snow peaks,

Pen tang dewa malü jungwé né
You are the source of every happiness and benefit;

Chenrezi wong tendzin gyatso yi
Tenzin Gyatso, Avalokiteshvara himself,

Shappé kel gya bartu tengyur chik
May your lotus feet remain firm for a hundred eons!

Tongnyi nyingjé zungtu jukpai lam
Protector of the teaching and beings of Tibet, you who greatly elucidate

Chéchér sel dzé kangchen ten drö gön
The path combining emptiness and compassion—

Chana pémo tendzin gyatso la
Ocean of Teachings Tenzin Gyatso, Padmapani holding a lotus in your
hand,

Sölwa depso zhétön lhündrup shok
To you I pray, may all your wishes spontaneously be fulfilled.


-Written by His Holiness himself according to the wishes of Kyabjé Dilgo Khyentse Rinpoche-

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Peregrinação à Índia

Documentário transmitido na RTP2 sobre a viagem à Índia, com o tema "Nos passos de Buda""

Depois de entrar no site procure na barra inferior o dia 29-05-2011.

Espero que goste :)

RTP - CAMINHOS clique em cima para ver

segunda-feira, 27 de junho de 2011

meditação em grupo

Quaisquer que foram os motivos que nos trouxeram até a prática da meditação - sugestão de um amigo, um livro, acaso, moda - o primeiro passo é aprender e participar da meditação em grupo. 

A meditação em grupo é uma das actividades mais básicas e a mais importante das atividades em grupo. Cada sessão de meditação em grupo é uma oportunidade para experimentar a força e a alegria que há em nós, mesmo que não por muito tempo. 

A prática em grupo não apenas nos incentiva a praticar individualmente mas também é um apoio para os outros praticantes e ajuda a se fortalecer como um todo e a fortalecer a sua pratica individual. 

Participe, pertença, faça parte, faça laços.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dhikr SUFI na União Budista Portuguesa, Sábado 25 de Junho às 21,30, participação livre e gratuita



O dhikr ('menção', 'recordação') é uma das técnicas utilizadas pelos Sufis. Trata-se da repetição salmodiada dos Nomes Divinos, que nutre o coração e acalma a mente, abrindo uma janela sobre o mundo invisível. O dhikr pode ser individual ou grupal, silencioso ou salmodiado e ainda acompanhado por instrumentos musicais e danças místicas.

Estarão presentes, além dos representantes de Mawlana Shaykh Nazim (Mestre da ordem Sufi Naqshbandi) em Portugal, dois importantes representantes internacionais do Sufismo:
Shaykh Ahmad Dedé, iniciado nas ordem Sufis Mevlevi e Naqshbandi, autorizado ao ensino da dança rodopiante Sufi por Mawlana Shaykh Nazim al-Haqqani ar-Rabbani de Chipre (Mestre da ordem Sufi Naqshbandi); de origem indonésia, vive com a família dele em Holanda; com doçura e humildade conduz seminários de meditação, cantos e dança Sufi onde o despertar espiritual é alcançado tocando as vibrantes cordas do coração;http://blip.tv/naqshbandi/episodio-10-taller-de-giro-derviche-sheikh-ahmed-dede-la-vera-5223234

Shaykh 'Umar Margarit, representante e responsável da ordem Sufi Naqshbandi e de Mawlana Shaykh Nazim na Espanha.

A comunidade Sufi Naqshbandi agradece a União Budista Portuguesa pela fraterna disponibilização do espaço onde realizarmos o dhikr.

Sejam bem-vindos/as!

-- السلام عليكم - as-Salâm 'alaykum!
A comunidade Sufi Naqshbandi portuguesa
http://oceanosdemisericordia.blogspot.com

sábado, 18 de junho de 2011

o caminho da grande perfeição



é um guia absolutamente inspirador e único para aqueles que desejam estudar e praticar o budismo. Esperei muito para ver estas palavras traduzidas para português ... ponham-nas em prática. "Pema Wangyal Rinpoche, In Prefácio à Edição Portuguesa, ed. ésquilo, 2007

Para realizar uma transferencia é preciso esperar o momento certo, senão arriscamo-nos a perder tudo disse Patrul Rinpoche (1808-1887- hoje é o seu aniversário) um grande mestre tibetano que passou grande parte de sua vida viajando de um lugar a outro como um iogue, meditando em cavernas isoladas e visitando locais sagrados."cão ou cachorro velho" era o seu nome esotérico que lhe tinha sido dado por um outro mestre. Patrül Rinpoche viu que as propriedades e as condições desejáveis — como ter uma abundância de comida, boas roupas, moradias confortáveis, cumprimentos e fama — são mais um obstáculo do que suporte no progresso espiritual.

um episódio da sua vida:
" Ele era uma pessoa de grande humildade e simplicidade, ainda assim era hábil para acomodar muitos eruditos nobres, ricos, poderosos e famosos como seus discípulos. Muitos discípulos em vestes de brocado, rodeados por hostes de séqüitos, vinham aos pés deste habitante solitário com roupas velhas, esfarrapadas e remendadas, que dificilmente tinha tsampa suficiente para comer ou combustível para aquecer chá. Até mesmo havia ocasiões em que sua humildade envergonhava as pessoas envoltas em brocado cavalgando cavalos, e Patrül Rinpoche expunha suas fraquezas.

Uma vez, Patrül Rinpoche viajou através de um campo nômade a pé, como de costume. Parou em uma família com uma grande tenda e perguntou se poderiam deixá-lo descansar durante alguns dias, pois estava exausto. A família perguntou, "Você pode ler preces?" Patrül Rinpoche respondeu, "Um pouco." Então, eles permitiram alegremente que Patrül Rinpoche entrasse e o deixaram se instalar no canto inferior da tenda. Muitas pessoas estavam ocupadas fazendo objetos rituais, colocando tendas, construindo assentos altos e cozinhando comida para um grande lama e sua comitiva, que estavam vindo para realizar uma cerimônia importante. Quando ouviram que o grande lama estava chegando e todos correram para recebê-lo. Patrül Rinpoche não saiu. As pessoas quase o arrastaram para que se apresentasse diante do lama.
O lama, vestido em brocado, saiu com toda pompa de quase quarenta cavaleiros em comitiva, segurando estandartes em suas mãos como se fosse em um jogo. Quando o grande lama viu Patrül Rinpoche, ele pulou do seu cavalo e caiu aos pés do mestre, envergonhado com sua pomposa exibição insignificante diante da presença significativa e humilde do grande Patrül Rinpoche. O lama era um discípulo de Patrül Rinpoche. A partir daquele dia, o lama renunciou ao seu modo de vida pomposo, tornou-se um eremita e nunca mais andou a cavalo novamente, mas sim caminhava quando viajava por aí. As pessoas acreditaram que Patrül Rinpoche tinha previsto este encontro através de sua clarividência, uma capacidade que tinha mostrado muitas vezes."

No Tibet Oriental, Patrül Rinpoche talvez tenha sido o mais instrumental em fazer o Om Mani Padme Hum ser a respiração perpétua de muitas pessoas.


Este seu livro foi 1º traduzido em françês, depois em inglês e espanhol, e em 2007 em português e no brasil em 2008_A imagem da capa do livro no brasil é um detalhe do mural da capela Gheku, no Monastério de Samye, Tibete. Ela ilustra as Oito Substâncias Auspiciosas (o espelho, o iogurte, o medicamento, a grama durva , a fruta bilva , a concha branca, o cinabre em pó e a semente de mostrada branca) que foram oferecidas a Buda Śākyamuni e representam o Nobre Caminho Óctuplo (compreensão, pensamento, atenção plena, fala, ação, esforço, concentração e meio de vida corretos).



















domingo, 29 de maio de 2011

novo filme budista "My reincarnation"

http://myreincarnationfilm.com/film/trailer/
http://youtu.be/iZAkpCdrcpE

MY REINCARNATION is an epic father-son drama, spanning two decades and three generations, about spirituality, cultural survival, identity, inheritance, family, growing old, growing up, Buddhism, Dzogchen—and past and future lives. The film follows the renowned reincarnate Tibetan spiritual master, Chögyal Namkhai Norbu, as he struggles to save his spiritual tradition, and his Italian born son, Yeshi, who stubbornly refuses to follow in his father’s footsteps. Yeshi was recognized at birth as the reincarnation of his father’s uncle, a high spiritual master who died at the hands of the Chinese in Tibet. But while Yeshi longs for a normal life, he cannot escape his destiny... 

domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa - uma reflexão incómoda

Comemora-se hoje o Domingo de Páscoa, uma das grandes festas da Cristandade e da cultura ocidental. Religiosos ou não, milhões de seres humanos, em Portugal e no mundo, estão a reunir-se em família à volta dos mais diversos petiscos e iguarias, comungando e celebrando a alegria e o prazer de estarem juntos na maravilhosa aventura da vida.

É humano. Mas será também humano não terem consciência ou procurarem esquecer que, ao fazê-lo, estão na imensa maioria dos casos a usufruir de uma alegria e de um prazer obtidos à custa do sacrifício involuntário, forçado, violento e doloroso de muitos milhões de vidas de animais, indivíduos conscientes e sencientes que, tal como nós, têm um interesse fundamental em estar vivos, com liberdade e bem-estar?

Páscoa, do hebreu Pésah, deriva provavelmente do verbo pasah, “saltar por cima” e assumiu o sentido de passagem, correspondendo nos nossos calendários a um tempo de regeneração. O filósofo judeu Fílon de Alexandria, contemporâneo de Cristo, viu a Páscoa como a libertação do espírito do domínio das paixões obscuras. E Cristo foi assumido pelos cristãos como aquele que dá a vida e o sangue pelos outros, pondo fim a todo o sacrifício sangrento do outro, humano ou animal. É nessa mutação ética e espiritual que consiste a verdadeira Ressurreição, que nos evangelhos gnósticos, como o de Filipe, é algo a viver desde já, em vida, e não após a morte. Algo a viver a cada instante e não só num Domingo por ano.

Parece evidente não ser esse o exemplo que seguimos, quando nos banqueteamos com a carne dos animais (terrestres ou aquáticos). Parece evidente que na Páscoa que inconscientemente celebramos nada há de “saltar por cima”, de transcender, de ir além dos nossos apetites mais irracionais e dos nossos hábitos familiares e sociais mais enraizados. Parece evidente que nesta Páscoa nada há de pascal, como no Natal nada há de natalício, sempre que um homem novo não nasça no presépio da alma.

Mas se é humano ter hábitos, mais humano ainda é reflectir sobre eles e questioná-los. Apelo por isso a que hoje, quando nos debruçarmos sobre as mesas familiares adornadas e repletas dos mais apetecíveis manjares, sejamos capazes de contemplar nem que seja um minuto a crua realidade de estarem cheias dos corpos dilacerados de seres antes vivos como nós, a maioria deles criados em condições de holocausto e abatidos para nos proporcionarem uns brevíssimos minutos de prazer sensorial e fútil, que logo se desvanece para nos deixar com a mesma insatisfação de sempre. E então, se não somos ainda capazes de renunciar a esse alimento, levemo-lo à boca, mastiguemo-lo e engulamo-lo. Mas com um mínimo de consciência e compaixão pelo companheiro de existência a quem fazemos passar pelo que mais tememos e menos desejamos: a morte violenta, sem que a nossa vida disso dependa.

Será incómodo, decerto, mas valerá a pena. Tornará a nossa Páscoa menos cega e mais pascal, mais propícia a uma transformação da consciência, a uma passagem, a um ir para além da nossa ignorância e insensibilidade. Será um daqueles incómodos que nos tornam seres humanos melhores. Sobretudo se, na nossa tomada de consciência do sofrimento dos animais, não esquecermos o dos homens, o de todos os seres, abrindo o coração à infinita compaixão pela dor do mundo. É isso que nos pode abrir o caminho da grande e verdadeira Alegria, a de ver que é possível acabar com o sofrimento, começando por aquele de que somos directamente responsáveis.

24.04.2011 - Domingo de Páscoa

sábado, 23 de abril de 2011

"KUNDUN" - 25 de Abril, 12h 20m, Canal Hollywood




Este filme de Martin Scorsese, baseado na história da vida do Dalai Lama - desde a infância até à sua partida para o exílio, na India - será exibido na

próxima 2ª feira no Canal Hollywood, às 12h 20m.

Um filme certamente interessante, com a promessa de qualidade que o nome deste realizador nos oferece.
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Foto:Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, em criança

terça-feira, 19 de abril de 2011

Tulku Lobsang Rinpoche em Portugal - 25 e 26 Abril

Palestra Pública
Com o Tema: "Liberte-se, dominando o medo e as expectativas"


Lançamento do novo DVD “Cutting Through”
Um documentário sobre TOG CHOD - A Espada da Sabedoria
O Tog Chod ou prática da Espada da Sabedoria, é uma combinação de posturas corporais, movimentos e visualizações. Esta prática meditativa fortalece-nos de modo a que possamos reduzir os nossos medos e expectativas.


Local, data e hora, em LISBOA:
25 de Abril às 19h00
HOTEL VILLA RICA - Av 5 de Outubro, 295 , em LISBOA 
(Junto da Estação de Entrecampos)


Contribuição sugerida: 5€
Inscrição: manuela.dalmeida@tibetanos.com


Local, data e hora no PORTO:
26 de Abril às 21h30,
HOTEL TUELA - Rua Arq. Marques da Silva, 200
(Junto ao Shopping Cidade do Porto)


Contribuição sugerida: 5€
Inscrição: nm.portugal@gmail.com

NOTA: Por razões logísticas agradecemos inscrição 

quarta-feira, 30 de março de 2011

Zen e a experiência do chá

"ao beber o chá não há na realidade um chá bebido por um lado e, pelo outro, quem bebe o chá, mas há a "experiência do chá".............essa experiência- a de beber o chá, como qualquer outra- é vivida no estado "puro", ou seja, sem distracções, interferências, discriminações, preconceitos e ilusões, se há um tipo de consciência directa em que as coisas, mas também os estados de espírito, as palavras, os acontecimentos e as pessoas são sempre "distintos" entre si e do sujeito que os conhece, mas nunca resultam "separados", nem , por conseguinte, opostos."
Giangiorgio Pasqualotto

quinta-feira, 10 de março de 2011

fotos de budistas praticantes do Brasil

algumas fotos do centro Shambhala em S. Paulo. Brasil. Um pequeno templo parecido com a sede da UBP em Lisboa.

"‎9 Etapas de Shamatha -  jan 2011. Veja todas as fotos em: http://www.flickr.com/photos/shambhalasp/sets/72157626112445475/

sexta-feira, 4 de março de 2011

libertação de animais

Cerimónia a realizar-se nas primeiras semanas de Março
Por ocasião do LOSAR (a entrada do novo ano, segundo o calendário budista), vai-se realizar uma libertação de animais, juntamente com a celebração de um ritual budista. É importante fazer a prática de libertar animais da forma o mais eficiente. Quando assim é, esta revela-se um método prático e poderoso para prolongar a vida, não só evidentemente para os seres que são libertados, como para os seres envolvidos de alguma forma nessa atitude.
É uma prática corrente budista, em muitas partes do mundo, libertar animais que estão presos e destinados a uma morte violenta. Esta actividade, que coexiste com outras práticas caritativas destinadas a ajudar seres humanos em sofrimento, baseia-se nos ensinamentos do Buda sobre o amor e a compaixão universais e imparciais. Segundo estes ensinamentos, todos os seres vivos ou sensíveis desejam igualmente a felicidade e evitam o sofrimento. Dia e noite, mesmo em sonhos, instintivamente tentamos evitar mesmo até o menor sofrimento. Isso indica que apesar de não estarmos plenamente conscientes disso, o que procuramos de facto é a libertação permanente do sofrimento. Por outro lado, todos os seres vivos, seja qual for a sua forma actual, já estabeleceram connosco relações próximas, ao longo dos seus inumeráveis renascimentos e vidas no ciclo da existência (samsara). Os ensinamentos budistas consideram que todos os seres vivos já foram os nossos próprios parentes mais íntimos, pais, mães, filhos e filhas. Mediante esta tomada de consciência, visa-se tornar-nos sensíveis ao seu sofrimento actual, fazendo o que nos for possível para o diminuir e extinguir.
De todos os sofrimentos, a morte violenta é o maior, porque todos os seres estão acima de tudo apegados à vida. De todas as mortes, as mais dolorosas são as daqueles seres que são cozidos vivos, também devido ao tempo da cozedura, em função da dor e da sua diferente percepção do tempo, resultar para eles muito dilatado. É por isso que os budistas privilegiam a libertação de mariscos vivos – amêijoas, berbigão, santolas, lagostas, etc. -que se podem adquirir nos viveiros e libertar no alto mar ou em lugares fora do alcance ou da vista de quem possa querer apanhá-los. Também podem ser caracóis, minhocas para isco ou outros animais vendidos vivos nos mercados, como coelhos.
Normalmente escolhem-se os dias de lua nova ou lua cheia, bem como dias consagrados do calendário budista, em que por motivos astro-cosmológicos a energia vital está mais concentrada em nós e no mundo e os efeitos kármicos das acções, positivas ou negativas, se multiplicam imenso. Esta libertação será feita na 1º semana depois do Losar, pois, segundo os ensinamentos budistas os 15 primeiros dias do novo ano tibetano são dias consagrados a actividades especiais realizados pelo Sr.Buda e revestem-se de uma importância excepcional devido, entre outros, ao facto de que neste período de tempo Os efeitos cármicos das acções feitas são multiplicados por milhões de vezes. Fazem-se orações e repetem-se mantras pelos animais que se vão libertar e procede-se então à sua libertação. É importante fazer a prática de libertar animais da forma mais eficiente. No que se refere a isso, a prática de dar o Dharma, através da recitação de orações e mantras é extremamente importante. Se simplesmente compramos animais e os soltamos onde não existe perigo para a suas vidas não estamos lhes trazendo muito benefício. Visto que não tem a oportunidade ouvir o Dharma, a maioria, quando morre, continua a renascer em mundos inferiores. Claro que a nossa acção traz algum benefício aos animais porque estamos prolongando as suas vidas, mas o maior benefício vem de ouvir a recitação do Dharma. Recitar mantras, falar sobre o bodhicitta, etc., deixa marcas nas mentes dos animais e assegura que no futuro possam-se reunir as condições adequadas para que esses animais possam efectivar o caminho para a iluminação. Segundo os ensinamentos do Buda, a virtude e os méritos, o karma positivo, acumulado pela salvação de vidas é enorme, tem um grande poder purificador das nossas próprias acções negativas passadas e pode ser dedicado para ajudar outros seres que passam por situações de sofrimento e doença, que estão moribundos ou já morreram. O poder benéfico desta dedicatória será tanto maior quanto mais se estenda a todos os seres, incluindo naturalmente todos os homens que causam directa ou indirectamente a morte de outros seres vivos, pescando-os, caçando-os, comercializando-os e comendo-os, e criando assim as condições para virem a passar pelos mesmos sofrimentos no futuro. Esta prática visa pois beneficiar todos os seres sensíveis, independentemente da sua forma actual.

novo ano tibetano do coelho

nam lo sar tse la tsang mar tashi delek shu!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

"... o estado natural do puro despertar"

“Quando os pensamentos passados cessaram e os pensamentos futuros ainda não surgiram, no intervalo, não há aí uma percepção do presente, uma frescura clara, desperta, nua, que jamais mudou, minimamente que fosse? Eis, isso é o estado natural do puro despertar"

- Dudjom Rinpoche, Extraire la Quintessence de la Réalisation, Laugeral, Éditions Padmakara, 2005, p.17.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Retiro "Como lidar com as emoções perturbadoras" - Quinta da Enxara - 4/6 de Março de 2011

Caros Amigos e Colegas,

Temos o prazer de vos anunciar o Retiro de Meditação "Como lidar com as emoções perturbadoras" com Paulo Borges que se vai realizar dias 5 e 6 de Março 2011, na Quinta da Enxara http://www.enxara.com/

Em busca da felicidade, somos confrontados com os obstáculos resultantes das emoções conflituosas. A tradição budista oferece-nos meios eficazes para reconhecer a natureza das nossas emoções, com vista a reduzir e por fim eliminar a sua influência destrutiva. Durante este Retiro, Paulo Borges conciliará teoria e prática na orientação de formas de meditação que permitem libertar a mente da prisão das emoções perturbadoras.

Seguem o programa e as informações gerais para a inscrição.

Investimento: 200€, dormida e todas as refeições incluídas.

Inscrições com CoShiatsu
e-mail: coshiatsu@gmail.com

Luísa de Sousa Martins 96 813 35 79
Margarida Sá Domingues 96 663 83 25
Ana Cristina Pereira 91 711 99 88


Os nossos cumprimentos, esperando rever-vos em breve

CoShiatsu

Programa:


Sexta Feira, 4 de Março:

19.00 – Chegada à Quinta da Enxara e acomodação
19.30 – 20.30 Jantar
20.30 - 22.00 Introdução ao sentido e objectivos do retiro: “Como lidar com as emoções perturbadoras”.


Sábado 5 de Março:

7.30 – 8.30 Meditação
8.30 - 9.30 Pequeno almoço
9.30 -13.00 (com intervalos) – As emoções perturbadoras: apego, orgulho, inveja e ciúme, avidez e avareza, ódio e cólera, torpor mental. Como transformá-las usando o método dos antídotos. As quatro meditações ilimitadas: amor, compaixão, alegria e imparcialidade. Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Shamatha – estabilização da mente na atenção às sensações físicas, à respiração e ao fluxo das emoções e dos pensamentos.
13.30- 14.30 Almoço
15.00-19.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Vipassana – A auto-libertação das emoções perturbadoras.
19.30- 20.30 Jantar
21.00 – 22.00 Meditação


Domingo, 6 de Março:

7.30 – 8.30 Meditação
8.30 - 9.30 Pequeno almoço
9.30-13.00 (com intervalos) – Revisão dos dois métodos de lidar com as emoções. Troca/Tonglen – abertura do coração a todos os seres.
13.30- 14.30 - Almoço
15.00-17.00 – Introdução à meditação com visualizações e mantras.

O retiro será facilitado por Paulo Borges, praticante budista desde 1983 e orientador, desde 1999, de seminários e cursos mensais teórico-práticos sobre budismo e meditação budista. Tradutor de livros budistas e tradutor-intérprete de mestres budistas, incluindo S.S. Dalai Lama. Autor, entre outros, de O Budismo e a Natureza da Mente (com Matthieu Ricard e Carlos João Correia), O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa (com Duarte Braga) e Descobrir Buda. Professor de Filosofia na Universidade de Lisboa e Presidente da União Budista Portuguesa.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tulku Lobsang Rinpoche em Portugal - Fevereiro

Maia - 15 Fevereiro
Consultas Medicina Tradicional Tibetana
Porto - 15 Fevereiro
Palestra
Porto - 16 Fevereiro
Consultas Medicina Tradicional Tibetana
Seminário
Porto - 17 Fevereiro
Consultas Medicina Tradicional Tibetana
Conferência
Aveiro - 18 a 20 Fevereiro
Retiro
Lisboa - 22 Fevereiro
Consultas Medicina Tradicional Tibetana
Ensinamento

veja detalhes abaixo:


15 Fevereiro


*Clique na imagem para ampliar

Informação mais detalhada em: 

16 Fevereiro


*Clique na imagem para ampliar

Informação detalhada no site: 

17 Fevereiro


*Clique na imagem para ampliar

Informação detalhada no site: 

22 Fevereiro


*Clique na imagem para ampliar

Consulte também os sites: 




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ZEN


Roshi nasceu em 1938 no extremo norte do Japão. Aos 22 anos concluiu seus estudos de filosofia em Tokyo e dois anos depois foi ordenado monge pela tradição Soto Zen. Passou 18 anos em retiro no Monte Fuji sem luz elétrica, água encanada, nem comunicação. Há mais de 30 anos, Moriyama vem oferecendo ensinamentos tanto para monges quanto para discípulos leigos

cartoon zen no site: http://zemapprentimaitrezen.wordpress.com/

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Neste ano o Losar será no dia 5 de Março,

Queridos Amigos,

Neste ano o Losar será no dia 5 de Março, Sábado, início do Ano da Lebre de Ferro. É uma grande oportunidade podermos usar o fim de semana para praticar com os nossos irmãos e irmãs de Dharma. Assim, colocamos à disposição o nosso centro de Dharma e convidamo-los para o fim de semana de Losar de pratica de Dharma juntos. O programa que propomos é de chegada na Sexta Feira à tarde à Quinta das Águias antes do jantar para uma pratica de abertura após o jantar. Seguir-se-ão outras práticas durante os dias de Sábado e Domingo até à hora de partida, à tarde.

A Quinta das Águias é um local de cerca de 6 hectares no meio da natureza na região de Paredes de Coura, no Minho, Norte de Portugal. Além de centro de retiros a Quinta das Águias oferece abrigo a cerca de 60 animais salvos de vida e morte de sofrimento - aqui vivem em liberdade e felizes até ao fim dos seus dias, de morte natural.

O número de lugares na guesthouse é limitado (16), assim as reservas são aceites por ordem de chegada. Para efectuar a reserva será necessário envio de email com nome e morada. Enviaremos depois a confirmação com informação  adicional. Por razões ecológicas estimulamos a partilha de transporte.

Com Amor,

Joep e Ivone


Dear Friends,

This year Losar is on a Saturday March 5th, the start of the Iron Hare Year. It is a great opportunity to use the weekend to practice together with our brothers and sisters of the Dharma. That is why we offer our Dharma retreat centre and invite you for a Losar weekend of Dharma practice together. The program we propose is arrival at Friday evening before dinner at Quinta das Águias to have an opening practice after dinner. On Saturday and Sunday practices until departure at Sunday afternoon.

Quinta das Águias is a 6 ha domain in the middle of nature near Paredes de Coura in Minho, Northern Portugal. Apart from being a retreat centre Quinta das Águias offers refuge to over 60 animals saved from a life and death of suffering - here they live happy and in freedom till the end of their lives from natural death.

The number of places in our guesthouse is limited (16 beds) so the reservations are accepted in the order they arrive. To make a reservation it is needed to send us an e-mail with your name and address. After you'll receive confirmation with pratical information.For ecological reasons we stimulate sharing transportation.

Love,

--
Ivone & Joep Ingen Housz

Changchub Chöling - Retreat Centre
Quinta das Águias
Blog : http://quintadasaguias.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Poesia do silêncio

Assim «de uma desaparecida a um desaparecido»
Com a mão de Buda,
Eu ofereço a flor por colher;
O solilóquio da rã,
Por entre a flor do loto; a boca húmida de leite,
Presa ao meu seio túrgido
E ofereço o amor e, como o céu sem nuvens,
Que torna possíveis as montanhas
E a Lua a pôr-se,
Este vazio que é o centro do amor
Esta poesia do silêncio.
- Susila

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

BUDISMO CHAN livro Hsing Yün


CONCEITOS FUNDAMENTAIS DO BUDISMO
Ven. Mestre Hsing Yün

OS ENSINAMENTOS ESPIRITUAIS DO BUDISMO APRESENTADOS POR UM DOS SEUS MAIORES IMPULSIONADORES NA ACTUALIDADE

O Venerável Mestre Hsing Yün utiliza a linguagem do quotidiano para que os ensinamentos profundos de Buda possam ser facilmente compreendidos por qualquer pessoa.

Utilizado como um guia para a prática do Budismo Humanista, permite conhecer os princípios fundamentais da doutrina, bem como consolidar os conhecimentos já adquiridos, rumo ao despertar da consciência.

«Na jornada pelo ciclo de nascimento e morte, a maioria percebe que certos pensamentos e comportamentos elevam a consciência, enquanto outros a rebaixam. Os ensinamentos do Buda, se forem seguidos, elevam-nos a novos níveis de consciência.»

PVP: 13,90 € | Encomendas Internet: 13,41 € | Nº de Páginas: 192 | Formato: 16 x 23 cm | ISBN: 978-989-677-042-6

Mais informações em: www.zefiro.pt

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Tulku Lobsang Rinpoche em Lisboa


Dia 22 de Fevereiro

*Clique na imagem para ampliar

Consulte também o site oficial:
Tulku Lobsang Rinpoche 

e dos patrocinadores:
Restaurante "Os Tibetanos" :  http://www.tibetanos.com
Instituto Changchup :  http://www.changchup.com

domingo, 23 de janeiro de 2011

"Ninguém tem necessidade de ir para qualquer outro lado. Todos nós já lá estamos; só falta sabermos que de facto assim é"



"Ninguém tem necessidade de ir para qualquer outro lado. Todos nós já lá estamos; só falta sabermos que de facto assim é. Se eu soubesse realmente quem sou, deixaria de proceder como a pessoa que julgo ser e, se eu deixasse de proceder como a pessoa que suponho ser, saberia quem sou. O que de facto sou - isto se o maniqueu que eu julgo ser me deixar descobrir o que realmente sou - a reconciliação do sim e do não, subsistindo em aceitação total e na abençoada experiêencia do Não-Dois. Em matéria de religião, todas as palavras são obscenas. Toda a criatura que discorre eloquentemente acerca de Buda, de Deus ou de Cristo, merecia que lhe desinfectassem a boca com fenol.

Em virtude da sua aspiração a perpetuar unicamente o sim em todos os pares de coisas antagónicas, o maniqueu que julgo ser não poderá jamais realizar-se na natureza das coisas; condena-se a si próprio a uma frustração incessantemente repetida; a conflitos incessantemente repetidos com outros maniqueus igualmente ambiciosos e frustrados.

Conflitos e frustrações - eis o tema de toda a história e de quase todas as biografias. "Mostrar-te-ei a tristeza" - eis uma frase realista do Buda. Mas ele mostrou igualmente o termo dessa tristeza - o autoconhecimento de cada um, a abençoada experiência do Não-Dois"

- Aldous Huxley, A Ilha, Lisboa, Livros do Brasdil, 1999, pp.48-49.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Detestado por um milhar de Budas no reino dos mil Budas,
Odiado pelos demónios entre os bandos de demónios,
Esta cabeça calva, cega e fedorenta,
Surge de novo sobre uma folha de papel.
Caramba!.

- Hakuin Ekaku

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A mente humana é uma mente que vagueia... e uma mente que vagueia é uma mente infeliz

Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert da Universidade de Harvard, concluiram que a felicidade surge quando estamos totalmente envolvidos na experiência dos nossos corpos no momento presente, quando a nossa atenção é totalmente absorvida por uma percepção real do nosso corpo. O estudo demonstra que quando estamos distraídos por pensamentos, dúvidas, julgamentos, sonhos e outros vagueios, estamos inevitavelmente menos felizes com a actividade que estivermos a desempenhar. De facto, quando nos perdemos nos nossos pensamentos, acabamos até por perder “a dobrar”, dado que não conseguimos estar disponíveis para aceder aquilo que sentimos e às sensações que o nosso corpo nos transmite.
(…)
Por esta ordenação de actividades, poderia pensar-se que as pessoas estavam mais felizes a fazerem actividades inerentemente mais agradáveis. Os dados demonstraram porém que os graus de felicidade ou bem estar eram mais altos quando as pessoas estavam completamente envolvidas no que faziam, independentemente da actividade – o tipo de actividade não interessava por isso tanto como o estarem focadas nessa mesma actividade, sem serem interrompidas por pensamentos que as distraíssem.


O artigo original, traduzido para português, está disponível em:
http://umcaminhoparaatransformacaodamente.wordpress.com/

domingo, 5 de dezembro de 2010

domingo, 21 de novembro de 2010

3ª feira, 23, 21.30, Clube Literário do Porto, "Descobrir Buda" e nº2 da revista Cultura Entre Culturas





Estarei no Clube Literário do Porto, na Rua da Alfândega, 22, na 3ª feira, dia 23, pelas 21.30, para uma conferência com o tema "Descobrir Buda" e para apresentar o meu último livro, com o mesmo título (Lisboa, Âncora, 2010), bem como o nº2 da revista Cultura ENTRE Culturas, dedicada ao tema "Encontro Ocidente-Oriente".

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Retiro "Como lidar com as emoções perturbadoras" - Quinta das Águias - 10-12 Dezembro



Retiro de meditação Budista: como lidar com as emoções perturbadoras
Paulo Borges
Quinta das Águias - 10-12 de Dezembro

Em busca da felicidade, somos confrontados com os obstáculos resultantes das emoções conflituosas. A tradição budista oferece-nos meios efectivos para reconhecer a natureza das nossas emoções, com vista a reduzir e por fim eliminar a sua influência destrutiva. Durante este retiro Paulo Borges ensinará a teoria e orientará práticas de meditação que ajudam a libertar a mente da prisão das emoções.

Programa:

SEXTA-FEIRA 10 DE DEZEMBRO:

19.00 – Chegada à Quinta das Águias e acomodação
19.30 – 20.30 Jantar
20.30 - 22.00 Introdução ao sentido e objectivos do retiro: “Como lidar com as emoções perturbadoras”.

SÁBADO 11 de Dezembro:

7.30 – 8.30 Meditação
8.30 - 9.30 Pequeno almoço
9.30 -13.00 (com intervalos) – As emoções perturbadoras: apego, orgulho, inveja e ciúme, avidez e avareza, ódio e cólera, torpor mental. Como transformá-las usando o método dos antídotos. As quatro meditações ilimitadas: amor, compaixão, alegria e imparcialidade. Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Shamatha – estabilização da mente na atenção às sensações físicas, à respiração e ao fluxo das emoções e dos pensamentos.
13.30- 14.30 Almoço
15.00-19.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Vipassana. A auto-libertação das emoções perturbadoras.
19.30- 20.30 Jantar
21.00 – 22.00 Meditação

DOMINGO 12 de Dezembro

7.30 – 8.30 Meditação
8.30 - 9.30 Pequeno almoço
9.30-13.00 (com intervalos) – Revisão dos dois métodos de lidar com as emoções. Troca/Tonglen – abertura do coração a todos os seres.
13.30- 14.30 - Almoço
15.00-17.00 – Introdução à meditação com visualizações e mantras.

Paulo Borges

O retiro será facilitado por Paulo Borges, praticante budista desde 1983 e orientador, desde 1999, de seminários e cursos mensais teórico-práticos sobre budismo e meditação budista. Tradutor de livros budistas e tradutor-intérprete de mestres budistas incluido S.S. Dalai Lama. Autor, entre outros, de O Budismo e a Natureza da Mente (com Matthieu Ricard e Carlos João Correia), de O Buda e o Budismo no Ocidente e na Cultura Portuguesa (com Duarte Braga) e de Descobrir Buda. Professor de Filosofia na Universidade de Lisboa e Presidente da União Budista Portuguesa.

Quinta das Águias

Um local de retiros tranquilo no meio da natureza situado na área rural de Paredes de Coura no Norte de Portugal com bosque, campos e jardim. Esta antiga quinta de cerca de 6ha compreende casa de pedra antiga restaurada que funciona como guesthouse e uma sala de práticas.

Opções de alojamento:
- Na guesthouse com a capacidade de alojamento para 16 pessoas em quartos para 2, 4 e 6 pessoas.
- Contactos de outras possibilidades fora da Quinta são disponibilizados a pedido.

Depois da inscrição os participantes receberão um e-mail com descrição da melhor forma de chegar à Quinta das Águias.

Pede-se aos convidados durante a sua estadia para:
- Não trazerem produtos animais para consumo. Todas as refeições são vegetarianas.
- Não fumarem nem trazerem ou usarem ouros produtos intoxicantes dentro da Quinta.
- Respeitarem as normas da Quinta que receberão após a inscrição.

Custos e Inscrições:
- Custo do retiro (incluindo alojamento na guesthouse e refeições): € 140
- Pessoas que alojam no exterior (excluindo alojamento, incluindo refeições): €115

Para inscrições e pagamento contactar: quintadasaguias@gmail.com

Por razões de organização aplica-se o seguinte:
- Para participar é necessaria inscrição prévia;
- As reservas tornam-se efectivas apenas após pagamento;
- Não haverá reembolso das quantias pagas.

Apreciamos a vossa compreensão.

Por cada participante será doado o valor de 10 € à Associação Animais de Rua, com a motivação de contribuir para o bem de todos os seres sencientes.

Para mais informação:
Blog: www.quintadasaguias.blogspot.com
e-mail to quintadasaguias@gmail.com
Tel: Ivone Ingen Housz (+351)91 430 44 13

Filosofia: Mente, meditação e despertar da consciência

Filosofia: Mente, meditação e despertar da consciência: "O Ciclo de Conferências 'Consciência e Religião: perspectivas' prossegue no próximo dia 19, 6ª feira, pelas 21.30, no Auditório da Câmara Mu..."

domingo, 14 de novembro de 2010

monges tibetanos em Portugal 2010

Três almofadas dispostas no chão, à volta de uma mesa branca e baixa. A consultante de astrologia tibetana está sentada à esquerda, no meio a intérprete (de inglês para português), e à direita Pempa Namgyal, o monge tibetano que lê a carta astral tibetana, feita previamente por Lobsang Chodak - o mestre e o mais antigo membro do Mosteiro de Gaden Shartse - o maior do Sul da Índia. O ambiente está embrulhado numa luz de um amarelo quente e no cheiro forte a incenso. Começa a consulta de astrologia tibetana, que é dividida em três partes: primeiro a explicação da conjugação de energias para este, que é o ano tibetano; depois desmistificam-se os elementos - água, fogo, ferro, terra e madeira - e, por último, Ana (nome fictício) saberá qual foi a sua última reencarnação e a sua ligação à vida actual. "Se tiveres questões, chamamos o mestre e ele pergunta ao oráculo. As perguntas têm de ter ordem específica", explica Pempa à cliente. A consulta continua e nós saímos, para que seja feita com mais serenidade.

São cinco, estão há oito anos em digressão mundial e fazem parte do primeiro grupo de monges tibetanos abençoados pelo Dalai Lama. Depois de seis meses em Espanha e dois em Itália, no âmbito do Oitavo Tour Mundial pela Paz Interior, chegaram a Portugal para ficar até 3 de Dezembro. A intenção é divulgar o seu conhecimento sobre astrologia, medicina, cura psíquica e filosofia do Tibete. Realizam consultas, cerimónias, ateliês e workshops para promover a cultura tibetana em Portugal.

"Este intercâmbio serve para que as pessoas ocidentais possam ter acesso e ficar mais interligadas com a cultura budista", conta Margarida Castro, coordenadora da Inkarri Portugal, a associação multicultural responsável pela visita. 

Os monges são todos bem-dispostos por natureza. E bastante sorridentes. A seriedade chega no momento da puja Kangso - a cerimónia que o i escolheu para assistir. Os pés têm de entrar descalços e por isso tiramos os sapatos à entrada. Dentro da sala estão cerca de 20 participantes, que procuram eliminar obstáculos e ter protecção e apoio da deidade. Este é o objectivo desta cerimónia. O rito é, novamente, separado por três fases, onde são recitados mantras preparados para o propósito. Na primeira - "o Refúgio de Buda" - pretende-se desenvolver a dedicação. À segunda, pertence amotivação. No fim é momento de oferendas à divindade, através do canto e da música, produzida com tambores, sinos e os Tingsha (uma espécie de pratos de choque tibetanos). Entre outras simbologias, é chegada a hora de Pempa Namgyal levar para fora do espaço um bule vermelho, que representa a acumulação de energias negativas. Passada uma hora e meia o ritual termina e as negatividades já não pertencem àquele espaço, nem a quem lá se encontra. "Gostei muito desta puja. Quando estou com os monges sinto uma paz interior inexplicável. Adorava passar um mês na companhia deles, no mosteiro. Infelizmente é impossível", desabafa Sofia Ubach-Chaves, depois da cerimónia, num estado de tranquilidade evidente.

Mal pisaram o país, os monges foram até uma esplanada de praia comer sardinhas, copiando o prato da mesa ao lado. Dizem que gostaram e, ao mesmo tempo que se riem efusivamente, transmitem calma. É quase impossível ficar indiferente. Pempa Namgyal é quem mais fala por ser o único a saber inglês. Quando criança, a mãe mandou-o para o Mosteiro Monástico de Gaden Shartse, como acontece com a maioria dos monges: "Agora estou bem. Quando era novo foi muito complicado porque tinha saudades de casa", conta. E no mosteiro não tem qualquer contacto com a família: "Além disso é muito longe do sítio onde a minha família vive." Ali, acorda sempre às 5h30 para orar com os restantes 1500 monges. (Com excepção dos fins-de-semana e feriados, onde o horário de sono pode ser estendido até às 7h30). Depois das orações e da puja matinal, é altura de tomar o pequeno-almoço, normalmente composto por pão tibetano, feito pelos próprios, e chá-manteiga (uma mistura de chá preto, leite, manteiga e sal). As aulas começam às 09h30 e dão lugar ao almoço, por volta das 11h00. A partir daí, o dia é preenchido com mais lições, mantras, jantar e orações antes da hora de dormir, às 23h30. Fica feliz por poder deixar uma mensagem aos leitores do i. Depois de um momento de pausa para pensar, diz finalmente: "Por vezes sentimo-nos felizes, noutras não. É a medida da vida. Gostem de vós e sejam mais satisfeitos. E conscientes. O mundo já perdeu muito com os conflitos. Assim como as religiões." No fim da conversa, que teve de terminar para dar lugar à puja, Pempa acrescenta: "Há sempre escolha. Ninguém obriga ninguém a nada. Nós não viemos aqui para sermos escravos - nem do dinheiro, nem de pessoas. Temos valor e qualidades que devem ser preservadas." Descruzou as pernas, antes em posição de lótus, levantou-se e cantou mantras.

http://www.ionline.pt/conteudo/86975-budismo-enviados-dalai-lama-purificar-portugal

http://www.facebook.com/pages/Monges-Tibetanos-em-Portugal/138633332841212
http://www.tourmundialpelapazinterior.blogspot.com/

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

XX Encontro Inter-Religioso de Meditação

A União Budista Portuguesa e a Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa convidam os membros de todas as confissões religiosas para o XX Encontro Inter - Religioso de Meditação, que decorrerá hoje, dia 8, das 19 ás 20h, na ESMTC, Rua D. Estefânia, 175
.
Este encontro está integrado no programa de actividades da Exposição das Relíquias do Buda e de Outros Grandes Mestres Budistas,que decorre neste espaço entre 6 e 14 de Novembro.

Este Encontro é dedicado ao objectivo da Exposição, a promoção do diálogo inter-religioso e a Paz no mundo. Como habitualmente,serão lidos curtos textos (1 a 2 m) de cada religião presente, seguidos de uma curta reflexão e de 25 minutos de meditação em silêncio, após a qual poderá haver diálogo e partilha de experiências.

Bem hajam pela vossa presença e divulgação destas iniciativas!

Façamos nossa a diferença e a Paz que desejamos no mundo !

domingo, 7 de novembro de 2010

Editorial do nº2 da Cultura ENTRE Culturas, apresentado no dia 11, Sala do Arquivo dos Paços do Concelho (Largo do Município), às 19h



Editorial

Após o primeiro número, cujo tema foi o diálogo intercultural, a Cultura ENTRE Culturas dedica este segundo número ao diálogo entre Ocidente e Oriente, na circunstância oportuna da comemoração dos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa. O diálogo Ocidente-Oriente, esses dois grandes pulmões do planeta, tem sido e é cada vez mais a matriz do que de mais significativo surge na história planetária do homem e das manifestações do espírito que nele e em tudo sopra. A cultura portuguesa tem ocupado (para o melhor e o pior) um lugar central nessa interlocução e a nossa revista pretende renovar essa tradição.

Abrimos com uma homenagem a dois vultos que recentemente partiram: Raimon Panikkar, membro da Comissão de Honra da revista e insigne colaborador que nela provavelmente teve a sua última publicação em vida; António Telmo, figura maior do pensamento português contemporâneo, que nos enviou um texto sobre a espiritualidade persa em Luís de Camões e do qual nos honramos por publicar também o seu derradeiro escrito, sobre Raymond Abellio e a descoberta portuguesa do trans-histórico (os nossos agradecimentos a José Guilherme Abreu). Panikkar é um ícone do diálogo Ocidente-Oriente, em particular na vertente europeia-indiana (assumia-se como “cristão-hindu-budista-secular”). Telmo representa a osmose entre filosofia portuguesa e Cabala hebraica. Aos dois o nosso sentido “Até sempre!”.

No que respeita aos ensaios, Carlos João Correia mostra, com o habitual rigor e clareza, como a questão da identidade pessoal, central no Ocidente e no Oriente, se antecipa na filosofia indiana clássica, bramânica e budista. Rui Lopo apresenta uma promissora visão panorâmica da sua investigação sobre a recepção ocidental do budismo (também na cultura portuguesa). Amon Pinho mostra a evolução do pensamento de Agostinho da Silva sobre o budismo e o cristianismo, no contexto de um progressivo ecumenismo paraclético. Paulo Borges assinala a fecundidade do entre em Fernando Pessoa, interpretando o poema “King of Gaps”, bem como as figuras de D. Sebastião e do Quinto Império na Mensagem, a partir da noção tibetana de bar-do (entre-dois, estado intermédio).

Na secção “Éditos e inéditos” a revista continua a contar com a colaboração de figuras de renome internacional. O cientista e monge Matthieu Ricard faz uma estimulante síntese do diálogo entre as neurociências ocidentais e a tradição budista, sob a égide do Dalai Lama, bem como das descobertas científicas recentes acerca dos benefícios da prática regular da meditação para o desenvolvimento pessoal e social. Françoise Bonardel oferece-nos um inédito onde pondera o lugar de Deus, dos deuses e do divino no (mono)teísmo e no budismo, reflectindo sobre as vantagens e riscos do encontro das duas tradições no Ocidente contemporâneo. Dzongsar Khyentse Rinpoche, carismático mestre espiritual tibetano, realizador de cinema e autor de O que não faz de ti um budista, adverte num estilo incisivo para os problemas da transposição do budismo para o Ocidente. Giangiorgio Pasqualotto presenteia-nos com uma entrevista inédita sobre o lugar do Oriente na sua vasta obra e sobre a sua proposta de uma “filosofia intercultural”, equidistante de qualquer centrismo, ocidental ou oriental. Ricardo Ventura transcreve um trecho de um manuscrito português do século XVI, que mostra o lugar pioneiro dos missionários portugueses no conhecimento da cultura hindu no Ocidente. A introdução ao texto também mostra, todavia, os preconceitos religiosos e proselitistas que presidiram a este encontro de culturas, contribuindo por(des)ventura para a paradoxal inibição dos Estudos Orientais no país que mais demandou o Oriente.

Numa secção com textos vários, a visão de António Telmo de um Camões interiormente persa articula-se com a reflexão de Sam Cyrous sobre religião e política na Pérsia antiga e no Irão contemporâneo. O escritor intenso que é Miguel Gullander medita sobre o “cadáver” e a “silenciosa testemunha em tudo o que acontece”. Duarte Braga problematiza o “orientalismo” na poesia de Gil de Carvalho e Abdul Cadre inicia-nos no Caminho de Santiago e nos enigmas dos dois decapitados, Santo Iago e Prisciliano, que bem nota haverem sido dois heréticos, respectivamente entre judeus e cristãos.

Quanto aos poetas, a sua voz surge “entre-calada” pela dos sábios e dos santos homens: será assim doravante.

Abre-se, desde logo – pela mão de Rumi (i.e.“o Romano”) – , com a grandeza da alma sufi, que nos mostra que o Mesmo, o Único, o Insondável, está em todos os corações e lugares; e tão plena e intensamente o está, a ponto de parecer “embriagado, intoxicado e perturbado” aquele que lhe seja lugar, talqualmente os apóstolos do Cristo, no dia de Pentecostes, a quem alguns criam “cheios de vinho doce”(At. 2,13). O Sem Nome, na verdade, tal como vinho, com nada tolera coabitar no coração do homem. É único, e por isso é Único o Único, que em tudo é detectável nesse divino jogo de escondidas que por toda a parte se/nos verifica.

A palavra de Vicente Franz Cecim, primordial e incantatória, virgem como o pulsar amazónico, convoca as “aves profundas” que sobrevoam as “pedras dos dedos da oração”. Ethel Feldman, voz intimista que se nos oferece com o rigor da vibrante lâmina do sentir, enuncia “o voo e via[gem]” do presente, “tempo de sempre / tão tempo de ser”. O verbo de Maria Sarmento, por seu lado, de orvalhada pureza sempre, ressoa ecos do raro “canto mudo das rosas e dos veleiros”: nele “sobe aos lábios um canto, [e] sopram-se segredos”. Sussurrantemente.

Longchenpa, um dos maiores vultos da tradição budista tibetana, fala-nos acerca daquela sabedoria não-dual que emerge da compreensão da natureza, originalmente pura, da mente: a ler como quem não lesse! Flávio Lopes da Silva, em poesia de frescura surpreendente, vai ao ponto de falar-nos de um, não menos surpreendente, “apostador que ao ler um poema dissesse: chega!”. Deixa-nos também um conjunto de vívidos aforismos a ler com todos os olhos.

Sylvia Beirute, que canta sob a luz mediterrânica os al-gharbs de ser viva voz, garante-nos “a certeza de não cabermos numa única possibilidade”; daí, talvez, a pertinência do seu “projecto de ser uma mulher de açúcar” e propor-se assim como “um exemplo de não exemplo”: voz a não perder. De Donis de Frol Guilhade nada se dirá, que sempre prefere nada se diga de quanto haja dizer. Simeão, cognominado “novo teólogo” pela tradição ortodoxa bizantina, exprime suas moções místicas mais abissais, perante o mistério paradoxal da proximidade e inacessibilidade do Divino. Como um selo lacrado a uma “voz já da cascata”, a palavra sábia e rigorosa de T. S. Eliot fala-nos do tempo, do não-tempo nele e do além-tempo em ambos, e em tais termos o faz, que mostra ser “[todo o] poema um epitáfio”. Onde a vida se celebra, a vida para sempre floresce e perdura: ali onde, num entrelaçar de “línguas de fogo” coroantes das crianças, “o fogo e a rosa [são de novo] uma só coisa.”

Raimon Panikkar mostra-nos, num curto mas belíssimo conjunto de nove aforismos (sutras), de que é feita a paz e de como é simples, ainda que não fácil, o fazê-la e o sê-la: texto de uma imensa sabedoria, que, estando a abrir um justo In Memoriam neste número, estaria aqui também no seu mais do que justo lugar. Rómulo Andrade, com a sua arte de primacial pureza, leva a cabo (nas palavras de Ruy Fabiano Rabello) uma “poética que desperta e sinaliza no rumo duma consciência mais clara e solidária entre as pessoas e a própria vida”: a ver, sempre. João Paulo Farkas, o fotógrafo convidado para este número, é senhor de um olhar sobre o homem e a Natureza que, dir-se-ia, nos faz sentir “desaparecidos”, lembrando aquela espantosa palavra de António Maria Lisboa, aliás algures citada na revista: “ver é desaparecer”. E é.

O diálogo entre as culturas e entre cada uma delas e o que a todas transcende e equipara é o grande desafio do nosso tempo. É dele que depende o universalismo autêntico, caminho do meio entre nacionalismo cultural e globalização homogeneizadora. É por essa via que seguimos, criando/descobrindo pontes, mediações, elos. No próximo número em companhia de Fernando Pessoa, comemorando ainda os 75 anos da passagem desse que é um dos expoentes maiores de um trans-Portugal armilar, cumprindo-se e superando-se na mediação de todos com tudo.


Paulo Borges
Luiz Pires dos Reys

arevistaentre.blogspot.com