terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Yongey Mingyur Rinpoche

Carta de Yongey Mingyur Rinpoche aquando da sua entrada em retiro

No início de Junho de 2011, Yongey Mingyur Rinpoche abandonou o seu mosteiro em Bodhgaya, na Índia, para iniciar um longo período de retiro em solidão. Ele saiu do mosteiro a meio da noite e sem levar consigo qualquer dinheiro ou posses, apenas as roupas que tinha vestidas. Mingyur Rinpoche escreveu esta carta pouco antes de partir para o seu retiro.

"Caros amigos, estudantes e colegas meditadores,

Quando estiverem a ler esta carta, eu já terei começado o longo retiro que anunciei o ano passado. Como poderão saber, eu sempre senti uma forte proximidade com a tradição do retiro, desde o tempo em que era uma criança a crescer nos Himalaias. Apesar de eu não saber como meditar, frequentemente fugia de minha casa para uma gruta que existia perto, onde eu me sentava tranquilamente e recitava o mantra “om mani peme hung” repetidamente na minha mente. O meu amor pelas montanhas e pela simples vida de um meditador nómada já na altura me era apelativo.

Só quando eu estava no início da minha adolescência tive a primeira oportunidade de fazer um retiro formal. Até essa altura eu vivia em Nagi Gompa, uma pequena vila perto de Kathmandu. Foi lá que o meu pai, Tulku Urgyen Rinpoche, me ensinou a meditar pela primeira vez. Depois de treinar com ele durante alguns anos, ouvi falar de um tradicional retiro de 3 anos que iria começar em Sherab Ling, o mosteiro de Kenting Tai Situ Rinpoche, na Índia.

Apesar de eu na altura apenas ter 11 anos, supliquei ao meu pai que me deixasse participar no retiro. Ele ficou contente por ver o meu entusiasmo, porque ele próprio tinha estado em retiro durante mais de 20 anos, ao longo da sua vida. Quando nós discutimos a ideia de eu próprio entrar num retiro severo, tradicional, ele contou-me a história do grande sábio Milarepa e de quão importante tinha sido o seu exemplo para gerações de meditadores Budistas Tibetanos.

O início da vida de Milarepa foi preenchido por bastante miséria e dificuldades. Contudo, apesar de todo o mau karma que ele criou enquanto jovem, ele eventualmente foi capaz de ultrapassar o seu negro passado e atingir o Despertar, enquanto vivia em grutas isoladas no interior das montanhas… Uma vez Desperto, Milarepa achou que não havia mais qualquer razão para ele ficar isolado. Ele decidiu então descer até às zonas mais populosas onde pensava ajudar directamente a aliviar o sofrimento dos outros. Certa noite, não muito depois de ele ter decidido partir, Milarepa teve um sonho sobre o seu Mestre Marpa. Nesse sonho, Marpa encorajou-o a permanecer em retiro, dizendo que através do seu exemplo, ele tocaria a vida de muitas pessoas.

Depois de me ter contado a notável vida de Milarepa, o meu pai disse: “A profecia de Marpa eventualmente concretizou-se. Apesar de Milarepa ter passado a maioria da sua vida em grutas remotas, milhões de pessoas sentiram-se inspiradas pelo seu exemplo ao longo dos séculos. Ao demonstrar a importância de praticar em retiro, ele influenciou toda a tradição do Budismo Tibetano. Milhares e milhares de meditadores manifestaram qualidades do Despertar por causa da sua dedicação.“

Alguns anos mais tarde, durante o meu primeiro retiro de 3 anos, eu tive a sorte de estudar com um outro grande Mestre, Saljey Rinpoche. A meio do terceiro ano, eu e mais alguns colegas do retiro questionamos o Rinpoche, pedindo o seu aconselhamento. Tinhamos retirado imensos benefícios do retiro e perguntavamos-lhe agora como podiamos ajudar a manter esta preciosa linhagem.

“Pratiquem!” respondeu Saljey Rinpoche, “Eu estive em retiro quase metade da minha vida. Esta é uma forma genuína de ajudar os outros. Se vocês pretendem preservar a linhagem, transformem as vossas mentes. Não encontrarão a linhagem genuína em mais sítio nenhum.“

Os ensinamentos e o exemplo tanto do meu pai, como de Saljey Rinpoche, inspiraram-me profundamente. Esta inspiração, acompanhada do meu desejo natural de praticar em retiro, tem sido uma orientação constante ao longo da minha vida.

Quando o meu primeiro retiro formal terminou, Saljey Rinpoche faleceu e Tai Situ Rinpoche pediu-me para tomar o seu lugar enquanto Mestre do Retiro. Eu aceitei o meu novo papel e desde então tenho liderado retiros e ensinado meditação ao longo dos últimos 20 anos. Em particular, nos últimos 10 anos, passei uma grande parte do meu tempo a viajar pelo mundo a ensinar. Estive em mais de 30 países, a partilhar a minha experiência de ultrapassar os ataques de pânico que experienciei enquanto criança, e a passar os ensinamentos que os meus Mestres me haviam também passado. Ao longo dos anos, vi a verdade nas palavras do meu pai e de Saljey Rinpoche. Como ambos me ensinaram, a experiência ganha em retiro pode ser uma ferramenta importantíssima para ajudar os outros.

Durante a minha juventude, eu tive formação de diferentes tipos. O tempo passado com o meu pai envolveu um treino meditativo severo, mas eu não estava em retiro rigoroso, no sentido em que estava com outras pessoas e podia entrar e sair livremente. O meu retiro de 3 anos no mosteiro de Sherab Ling pelo contrário, foi em completo isolamento. Um pequeno grupo vivia isolado e não teve qualquer contacto com o mundo exterior até ao fim do retiro. Estas são duas formas de prática, mas não são as únicas… Como demonstrado pelo grande yogi Milarepa, existe também a tradição de ir livremente de local em local, ficando em grutas remotas e sítios sagrados sem planos e sem agenda fixa, apenas num constante compromisso com o caminho do Despertar. E é este tipo de retiro que irei praticar ao longo dos próximos anos.

Esta tradição não é muito comum na actualidade. O meu terceiro Mestre, Dzogchen yogi Nyoshul Khen Rinpoche, foi um dos poucos Mestres a praticá-lo recentemente. Khen Rinpoche praticou em retiros isolados quando era mais novo e mais tarde seguiu também a via do yogi nómada. Ele abandonou completamente a sua vida e actividades “normais”. Ninguém sabia onde ele estava ou o que estava a fazer. Ele passou tempo meditando em grutas isoladas e noutros locais onde os grandes Mestres do passado, como Milarepa e Longchenpa também praticaram e a dada altura, ele até viveu entre os sadhus Hindus da Índia. A sua história é o exemplo perfeito de um yogi moderno.

Mais recentemente, Tai Situ Rinpoche, o último dos meus principais Mestres, falou de meditar em retiros na montanha durante um ensinamento que ele deu em 2009. Durante 4 meses, Rinpoche passou a linhagem de um importante texto de meditação chamado “O Oceano do Significado Definitivo”. Este é um dos principais manuais de meditação usado pelos meditadores da linhagem Kagyu. Eu menciono aqui os meus Mestres porque a sua compaixão e sabedoria alimentou o meu desejo de fazer do retiro um ponto essencial da minha vida. O meu pai e Saljey Rinpoche encorajaram e suportaram as minhas primeiras experiências em retiro, enquanto Nyoshul Khen Rinpoche e Tai Situ Rinpoche me inspiraram a embarcar na viagem do yogi nómada. Como uma pequena borboleta no meio da luz do sol, nunca me compararei aos meus Mestres, mas sem o seu exemplo e inspiração, eu nunca teria seguido este caminho.

Poderão pensar que enquanto eu estiver em retiro, não poderemos estar ligados entre nós. Claro, não nos poderemos ver durante uns anos, mas não se esqueçam que a nossa relação existe através do Dharma. Não é simplesmente vermos os nossos professores, ou ouvi-los, que cria uma relação espiritual. É quando tomamos os ensinamentos que recebemos e os trazemos para a nossa experiência que um laço indestrutível é criado. Quanto mais praticamos, mais forte este laço com os nossos professores se torna.

Três dos meus quatro mais importantes Mestres já não estão entre nós. De vez em quando, lembro-me de como era estar com eles e ouvi-los. Lembro-me como eles eram alegres e leves, e como se comportavam com tal dignidade e liberdade. Estas memórias fazem-me um pouco triste, mas quando me lembro do que eles me ensinaram e quando deixo a sua sabedoria preencher o meu ser, consigo sentir a sua presença em qualquer local e em qualquer tempo. Portanto, apesar de vocês e eu podermos estar fisicamente separados ao longo dos próximos anos, através da nossa prática estaremos sempre juntos.

Sinto um grande sentimento de carinho e amor quando penso em todos vocês, como se todos pertencemos a uma grande família. Portanto não se preocupem, eu não estou a ter uma crise de meia idade! Eu não vou estar em retiro por estar farto de viajar ou cansado de ensinar. Na realidade, é exactamente o oposto. Durante este tempo, a nossa prática vai-nos aproximar.

Existem tempos na nossa vida em que nos focamos em aprender e em estudar, e outros em que pegamos no que aprendemos e o trazemos profundamente para a nossa experiência. Estes são processos porque cada um de nós passa individualmente, mas ter o suporte de uma comunidade pode ser uma grande ajuda, enquanto percorremos o nosso caminho. Tem sido maravilhoso ver quantos de vocês se têm reunido ao longo dos últimos anos para ajudar a criar e dar forma à nossa crescente comunidade. Apesar de eu ter ajudado a comunidade a formar-se através dos meus ensinamentos, a comunidade em si é vossa. Existe para vos apoiar no caminho para o Despertar, e será o vosso empenho e apoio que irá propiciar o crescimento e desenvolvimento dessa comunidade nos próximos anos. Receber apoio e orientação da comunidade, e dar algo de volta de qualquer forma que possam, é uma parte integrante da viagem.

Para vos ajudar a continuar a percorrer este caminho, preparei muitos ensinamentos ao longo dos últimos anos, que irão ser entregues por emanações minhas. Estas emanações irão aparecer magicamente em praticamente qualquer sítio e irão ensinar-vos o que vocês precisam para que possam aprofundar a vossa prática. De que é que eu estou a falar? De tecnologia moderna, claro! Nós gravamos centenas de horas de ensinamentos sobre um conjunto vasto de tópicos, e estes ensinamentos irão ser disponibilizados ao longo dos próximos anos. Alguns serão usados para cursos e seminários online, outros serão disponibilizados nos centros e grupos Tergar, e alguns estarão disponíveis livremente online. Num certo sentido, as minhas emanações em formato vídeo serão melhores do que eu. Não terão de as alimentar nem de as alojar num hotel. Elas esperarão pacientemente até que vocês estejam prontos. E mais importante, elas não se sentiram mal se vocês se entediarem e as desligarem!

Não pensem no entanto que o vosso leitor de DVD será o vosso novo guru. Os ensinamentos gravados nunca poderão tomar o lugar da transmissão directa de professor para aluno. O que pretendo dizer é que existirão muitas oportunidades para estudar e praticar, especialmente para aqueles de vocês que estão a seguir os programas “Joy of Living” e “Path of Liberation“. Existem lamas fantásticos com quem poderão estudar, incluindo SS o Karmapa, Orgyen Trinley Dorje e o meu Mestre Tai Situ Rinpoche. O meu irmão, Tsoknyi Rinpoche, é também um excelente professor e ele concordou em liderar a Comunidade Tergar durante a minha ausência. Finalmente, temos também os nossos próprios lamas Tergar que liderarão os retiros e workshops em todo o mundo. Aliás, tanta coisa irá acontecer, que vocês nem darão pela minha falta!

Ao me despedir, gostaria apenas de vos dar um pequeno conselho para que guardem nos vossos corações. Podem já me ter ouvido dizer isto antes, mas este é o ponto essencial de todo o nosso caminho, por isso vale a pena repetir: Tudo aquilo que procuramos na nossa vida – toda a felicidade, contentamento e paz de espírito – está exactamente aqui, no momento presente. A nossa própria consciência é ela própria fundamentalmente pura e boa. O único problema é que nós ficamos tão envolvidos nos altos e baixos da nossa vida que não tiramos sequer um momento para pausar e notar tudo aquilo que já temos.

Não se esqueçam de deixar espaço na vossa vida para reconhecer a riqueza da vossa natureza básica, para ver a pureza que existe em vocês e deixar as qualidades inatas do amor, da compaixão e da sabedoria emergirem naturalmente. Acarinhem este reconhecimento como fariam com uma pequena semente. Deixem-no crescer e florescer.

A maioria de vocês perguntou gentilmente como é que poderia apoiar o meu retiro. A minha resposta é simples: mantenham este ensinamento no centro das vossas práticas. Onde quer que estejam e independentemente do que estiverem a fazer, pausem ocasionalmente para relaxarem a vossa mente. Não têm de mudar nada na vossa experiência. Podem deixar os vossos pensamentos e sentimentos ir e vir naturalmente, e deixarem os vossos sentidos bem abertos. Tornem-se amigos da vossa experiência e tentem notar a consciência que está em vocês, em todos os momentos. Tudo o que sempre desejaram está exactamente aqui neste momento de consciência.

Manter-vos-ei no meu coração e nas minhas orações.

Vosso no Dharma,

Yongey Mingyur Rinpoche"

Source: http://umcaminhoparaatransformacaodamente.wordpress.com/

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cursos de Introdução ao Budismo _UBP

Cursos de Introdução ao Budismo
na UBP, à terça-feira das 20h30 às 21h30 (depois da prática semanal)

17 Janeiro a 27 Abril | Compreender o Caminho

Os cursos de introdução ao budismo são no total três módulos, sendo o seu objectivo global facilitar a compreensão e experiência de um caminho de transformação segundo os ensinamentos de Buda. A abordagem fundamenta-se na tradição Theravada, tendo como referência o Tipitaka (o registo mais antigo de ensinamentos).

Compreender o Caminho: uma visão global do caminho que visa a integração dos oito factores essenciais para uma prática espiritual verdadeiramente efectiva.

Compreender o "Eu": a compreensão apropriada daquilo a que chamamos "Eu" é um aspecto incontornável do processo de auto-conhecimento. Este curso faz uma introdução à análise da construção do "Eu" segundo os "cinco agregados" da psicologia budista.

Compreender a Interdependência: a perspectiva budista da realidade revela a interdependência como factor determinante na origem de todos os fenómenos. Esta noção, também conhecida como paticca samupada ou origem dependente, é fundamental para a compreensão da realidade e central nos ensinamentos de Buda.

Estes cursos não são necessariamente sequenciais, podendo ser frequentados em qualquer ordem.

orientação
Sagarapriya tem, ao longo de quase duas décadas, praticado com mestres de várias tradições budistas, tanto no Ocidente como na Ásia. Nos últimos dez anos tem ensinado extensivamente budismo e meditação e alargado a sua formação em "Mindfulness", "Focusing" e mais recentemente em "Comunicação Não-violenta". Sagarapriya faz parte da direcção da União Budista Portuguesa.

informações e inscrições
donativos: nestes cursos adopta-se o sistema de Dana. Na tradição de Buda, os ensinamentos são vistos como tendo um valor inestimável, por isso, são oferecidos. Dana, generosidade, é a base desta tradição: os professores dão o seu tempo e conhecimento; os participantes, por sua vez, oferecem donativos para que os professores possam ter meios para continuar a dádiva de partilhar os ensinamentos.

reserva :

querendo reservar o seu lugar, por favor, ligue para a UBP, tel: 213 634 363.

local:

União Budista Portuguesa
Av. 5 de Outubro nº 122, 8º esq.
1050-061 Lisboa
autocarros: 21, 36, 44,49, 54, 56, 83, 727, 732, 738,745
metro: Campo Pequeno

levar:

por favor traga roupa confortável e, uma vez que estará sem sapatos, pode querer levar meias. Temos vestiários e todo o material necessário para a prática.

UBP JANEIRO

AGENDA DE JANEIRO:

ZEN SHIATSU O TOQUE TERAPÊUTICO
SÁBADO E DOMINGO, 14 E 15 DE JANEIRO - 10h às13h – 15h às 18h
Luísa Martins Borges

 CURSO DE INTRODUÇÃO À FILOSOFIA E À CULTURA BUDISTA
2011-2012 ( ver mais)
SÁBADOS, 7 E 21 DE JANEIRO - 15h - 19h
Vários orientadores

BREATHWORKS- CURSO DE MINDFULNESS:
Viver bem com o stress
De 21 DE JANEIRO A 10 DE MARÇO
Local: U.B.P.
João Palma

http://www.uniaobudista.pt/homepage.php
5 Outubro
Lisboa 1170

KRF Portugal janeiro

Caros Amigos,
Tel: 21 774 25 39
Atendimento ao público de 2a. a 6a., das 09.30 às 13.30
 
Vimos por este meio informar acerca da sessão de prática conjunta, em Janeiro.
  • 18 Janeiro (quarta-feira): Dakinis

A sessão terá início às 19h00, em Benfica.


Às terças e quintas-feiras (19h30) decorrem as habituais sessões de prática.

Em caso de qualquer dúvida, ou para inscrição nas sessões de prática semanais, por favor contactem-nos.
A contribuição mensal referente a uma sessão semanal são 35 eur / 45 eur para duas sessões semanais e poderá ser realizada na Fundação, na primeira terça-feira / quinta-feira de cada mês. Obrigada.

Saudações amigas e um Bom Ano !
Fundação Kangyur Rinpoche

domingo, 8 de janeiro de 2012

tudo nos ensina_Everything is Teaching us – A Collection of Teachings by Venerable Ajahn Chah : HolyBooks.com – download free ebooks

A OFERENDA DO DARMA É A MAIS PRECIOSA. ASSIM TODOS OS LIVROS NA TRADIÇÃO THERAVADA SÃO GRATUITOS. ESTE SITE EM INGLÊS PERMITE O ACESSO ALGUNS DELES. NESTE LIVRO ENSINA-SE O ALUNO ABRIR OS OLHOS E.....COMEÇAR O CAMINHO.

A great thing about the Theravada tradition is that all books are given away for free. As they say: “The gift of Dhamma surpasses all other gifts.” This also goes for this work “Everything is Teaching us – A Collection of Teachings by Venerable Ajahn Chah”. Here Ajahn Chah stresses the importance of not solely associating the path with the traditional methods like monastic life, meditation and following the guidelines from the scriptures.

In this book he teaches his students to open their eyes and become students of everything. Great stuff, get it here:

Everything is Teaching Us



Everything is Teaching us – A Collection of Teachings by Venerable Ajahn Chah : HolyBooks.com – download free ebooks

o pai de Dzongsar Khyentse Rinpoche, faleceu no dia 27 de dezembro de 2011.

Mensagem de Dzongsar Khyentse Rinpoche

31 de dezembro de 2011

Dungsey Thinley Norbu Rinpoche, o pai de Dzongsar Khyentse Rinpoche, faleceu no dia 27 de dezembro de 2011.  Transcrevemos abaixo a carta que Khyentse Rinpoche escreveu para a sanga, com recomendações de como ver a passagem de um grande iogue.  Thinley Norbu Rinpoche nasceu no Tibete, como o filho mais velho de Dudjom Rinpoche.  Ele foi um grande poeta e autor de importantes textos como A Small Golden Key, Magic Dance, White Sail e A Cascading Waterfall of Nectar.

Agradeço a todos por seus sentimentos e melhores votos, neste momento.

Vivemos em um mundo que nós mesmos criamos, um mundo montado a partir das nossas percepções pessoais, no qual acreditamos por inteiro:  todos os anos, todos os dias, todas as horas, todos os momentos da nossa vida.

Embora esta vida na realidade seja fugaz, durando não mais do que o saltar de uma fagulha, ela é vivenciada por alguns como interminável, arrastando-se por eras e eras.  Já para outros, a experiência deste mundo dura menos que um piscar de olhos, embora na realidade este mundo exista por um tempo infinito.

Para alguns, este mundo não é maior do que o buraco de um caruncho; no entanto, eles se sentem insignificantes e isolados, perdidos em um vazio vasto e sem fim.  Outros percebem o mundo como pequeno − tão pequeno quanto um universo inteiro − e se sentem desconfortavelmente confinados e claustrofóbicos.

A maioria de nós − e aqui eu me incluo − fomos condicionados a viver e morrer em um mundo criado por nossas próprias percepções; e mais, continuamos a criar condições que asseguram que repetiremos o mesmo jogo, vez após vez.

Dentro uma infinidade de possíveis percepções, Thinley Norbu Rinpoche é visto por alguns como uma pessoa comum, por outros como um pai, um professor, um ser perfeito − diferentes percepções determinadas pelo mérito (ou falta de mérito) de quem percebe.

Para pessoas como eu, cuja limitação me leva a vê-lo apenas como meu pai, as condolências manifestadas por vocês são aceitas como apoio emocional.

Para aqueles dotados de “qualidades superiores” − ou que aspiram desenvolver essas qualidades − e que conseguem enxergar Thinley Norbu como um ser perfeito, esta é mais uma oportunidade para pôr de lado percepção não-pura e gerar percepção pura, para que se possa ao final passar adiante de toda percepção.

A “consciência” ou “estado desperto” é a essência dos ensinamentos de Buda − desde a consciência do ar fresco que entra e sai por nossas narinas, até a profunda consciência da natural perfeição.  E em sua compaixão e coragem incomensuráveis, o único propósito e atividade de todos os budas é tocar o sino que nos alerta e nos conduz para essa consciência desperta.

Para os que têm mérito suficiente, a passagem deste grande ser pode ser interpretada como o soar desse sino de alerta, e uma recordação oportuna de todos os ensinamentos − desde a simples verdade da impermanência até a realização da compaixão ilimitada.  Sob esse ângulo, na mesma medida em que a nossa mente obscurecida apreciou e valorizou o aparecimento de Thinley Norbu neste mundo, cabe a ela, agora, apreciar e valorizar o desaparecimento dele.

Ainda que seja tocante saber daqueles que estão a oferecer preces, recitações, lamparinas e tantas outras atividades benéficas nesta ocasião, permitam-me lembrar, a mim mesmo e a todos os interessados, que nenhuma dessas práticas que estamos fazendo são para ele; antes, são para nós mesmos.

Por mais cintilante que seja a lua ao aparecer no céu, seu reflexo não será visto, se as águas do lago estiverem turvas.  Igualmente, é por meio da purificação dos obscurecimentos e da acumulação de méritos em nossa própria mente que conseguiremos, com o tempo, perceber o reflexo de Buda − intacto, completo, nunca afastado.

Então, melhor do que nos congratularmos com o pensamento de que estamos acumulando todas estas práticas nesta ocasião especial, é termos presente que nós já as deveríamos estar fazendo − e que deveremos continuar a fazê-las por toda esta vida, e também ao longo de todas as nossas vidas futuras.  Se imaginarmos, porém, que nossa prática é algo como proporcionar “ritos de passagem” a este grande ser, definitivamente esse não é o melhor caminho a seguir.

Foi-me perguntado que práticas específicas deveriam ser feitas.  Repito, uma vez mais, que nossa prática é a vigilância, ou seja, o “estado desperto”.  Somos seres ignorantes, o que quer dizer que precisamos de constantes lembretes da importância de nos esforçarmos para pousar nessa consciência desperta.  Portanto, todas as atividades do nosso guru − desde quando ele boceja ou tosse, até quando ele aparece ou desaparece − são modos que ele tem nos lembrar de voltarmos para o estado desperto, vez após vez.

E, se estivermos conscientes e despertos, não há prática que seja melhor, nem prática que seja pior.

Escrito e dedicado à iluminação de todos os seres sencientes, na presença do rupakaya de Thinley Norbu.

Nova York.

Publicado originalmente em inglês no site da Khyentse Foundation. Traduzido do inglês para o português por Manoel Vidal.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Declaração de SS o Dalai Lama | Bodisatva: um olhar budista

Logo após a visita ao Brasil, SS o Dalai Lama fez um pronunciamento sobre várias questões importantes. Falou sobre sua próxima encarnação e se a instituição “Dalai Lama” irá continuar, considerando a ocupação chinesa no Tibete e ainda fez um comentário detalhado sobre o processo das encarnações do mestres tibetanos e o fenômeno dos “tulkus”.

A tradução do texto em inglês foi feita por Jeanne Pilli e revisada por Marcelo Nicolodi. O original em inglês pode ser encontrado no site oficial de SS o Dalai Lama. A declaração foi publicada no dia 24 de setembro de 2011.

Introdução

Meus companheiros Tibetanos, tanto dentro como fora do Tibete, todos aqueles que seguem a tradição Budista Tibetana, e todos que têm conexão com o Tibete e com os tibetanos: devido à previdência de nossos antigos reis, ministros e eruditos adeptos, o ensinamento completo do Buda, que compreende as escrituras e os ensinamentos vivenciais dos Três Veículos e dos Quatro Conjuntos de Tantra e os assuntos e disciplinas relacionados, floresceu amplamente na Terra das Neves. O Tibete tem servido ao mundo como fonte de tradições budistas e outras tradições culturais relacionadas. Em particular, tem contribuído significativamente para a felicidade de incontáveis seres ​​na Ásia, incluindo a China, Tibete e Mongólia.

Na tarefa de defender a tradição budista no Tibete, nós desenvolvemos uma incomparável tradição tibetana de reconhecer as reencarnações de eruditos adeptos que tem sido de grande ajuda, tanto para os seres sencientes quanto para o Darma e, em particular, para a comunidade monástica.

Desde que o onisciente Gedun Gyatso foi reconhecido e confirmado como a reencarnação de Gedun Drub no século XV e a Gaden Phodrang Labrang (instituição do Dalai Lama) foi criada, sucessivas reencarnações foram reconhecidas. O terceiro na linhagem, Sonam Gyatso, recebeu o título de Dalai Lama. O quinto Dalai Lama, Ngawang Lobsang Gyatso, estabeleceu o Governo Gaden Phodrang em 1642, tornando-se o líder espiritual e político do Tibete. Por mais de 600 anos desde Gedun Drub, uma série de reencarnações inequívocas foi reconhecida na linhagem dos Dalai Lamas.

Os Dalai Lamas têm atuado como líderes políticos e espirituais do Tibete por 369 anos, desde 1642. Eu agora conduzi isto voluntariamente ao fim, orgulhoso e satisfeito para que possamos buscar o tipo de sistema democrático de governo que floresce em outras partes do mundo. Na verdade, já em 1969, deixei claro que as pessoas interessadas deveriam decidir se reencarnações do Dalai Lama deveriam continuar no futuro. No entanto, na ausência de diretrizes claras, se o público interessado expressar um forte desejo de que os Dalai Lamas devem continuar, há um risco evidente de que interesses políticos façam mau uso do sistema de reencarnação para cumprir sua própria agenda política. Portanto, enquanto eu permanecer física e mentalmente apto, me parece importante elaborar orientações claras para reconhecer o próximo Dalai Lama, para que não haja margem para dúvida ou engano. Para que estas diretrizes sejam plenamente compreensíveis, é essencial compreender o sistema de reconhecimento dos Tulkus e os conceitos básicos por trás dele. Portanto, vou explicá-lo brevemente a seguir.

Vidas Passadas e Futuras

Para aceitar a reencarnação ou a realidade dos Tulkus, precisamos aceitar a existência de vidas passadas e futuras. Os seres sencientes vêm para esta vida presente a partir de vidas passadas e têm novamente um renascimento após a morte. Este tipo de renascimento contínuo é aceito por todas as tradições espirituais e escolas filosóficas indianas antigas, com exceção dos Charvakas, que constituem um movimento materialista. Alguns pensadores modernos negam vidas passadas e futuras com a premissa de que não podemos vê-las. Outros não chegam a conclusões tão claras baseados nessa premissa.

Embora muitas tradições religiosas aceitem o renascimento, diferem em suas visões sobre o quê renasce, como renasce, e como é esta passagem pelo período de transição entre duas vidas. Algumas tradições religiosas aceitam a perspectiva de vida futura, mas rejeitam a idéia de vidas passadas.

Em geral, os budistas acreditam que não existe um início para os nascimentos e que uma vez atingida a liberação da existência cíclica pela superação do carma e das emoções destrutivas, nós não renasceremos sob a influência dessas condições. Portanto, os budistas acreditam que há um fim para o renascimento como resultado do carma e de emoções destrutivas, mas a maioria das escolas filosóficas budistas não aceita que o fluxo mental chegue a um fim. Rejeitar renascimentos passados e futuros seria uma contradição ao conceito budista de base, caminho e resultado, que deve ser explicado com base na mente disciplinada ou indisciplinada. Se aceitarmos este argumento, logicamente estaríamos aceitando que o mundo e seus habitantes surgem sem causas e condições. Portanto, para que você seja budista, é necessário que aceite renascimentos passados e futuros.

Para aqueles que se lembram de suas vidas passadas, o renascimento é uma experiência clara. No entanto, a maioria dos seres comuns se esquece de suas vidas passadas durante o processo da morte, estado intermediário e renascimento. Como renascimentos passados e futuros são obscuros para eles, precisamos usar uma lógica baseada em evidências para comprovar renascimentos passados e futuros.

Há muitos diferentes argumentos lógicos oferecidos pelos discursos do Buda e comentários subsequentes para provar a existência de vidas passadas e futuras. Resumidamente, se reduzem a quatro pontos: a lógica de que as coisas são precedidas por coisas similares, a lógica de que as coisas têm uma causa substancial, a lógica de que a mente obteve familiaridade com coisas no passado, e a lógica de ter obtido experiência com as coisas no passado.

Em última análise, todos esses argumentos se baseiam na idéia de que a natureza da mente, sua clareza e consciência, deve ter luminosidade e consciência como causa substancial. Ela não pode ter nenhuma outra entidade, tal como um objeto inanimado, como sua causa substancial. Isto é evidente por si mesmo. Por análise lógica, inferimos que um novo fluxo de luminosidade e consciência não pode surgir sem causas ou a partir de causas não relacionadas. Ao observar que a mente não pode ser produzida em laboratório, também inferimos que nada pode eliminar a continuidade da luminosidade e consciência sutis.

Que eu saiba, nenhum psicólogo, físico ou neurocientista moderno foi capaz de observar ou predizer a produção da mente a partir da matéria ou sem causa.

Há pessoas que podem lembrar suas vidas imediatamente anteriores ou mesmo várias vidas passadas, bem como são capazes de reconhecer lugares e parentes dessas vidas. Isto não é apenas algo que aconteceu no passado. Hoje em dia há pessoas, no oriente e no ocidente, capazes de recordar incidentes e experiências de suas vidas passadas. Negar isto não é uma forma honesta e imparcial de realizar pesquisas, porque vai contra esta evidência. O sistema tibetano de reconhecer reencarnações é um modo autêntico de investigação baseado nas lembranças de vidas passadas das pessoas.

Como o Renascimento Acontece

Existem duas formas pelas quais uma pessoa pode ter um renascimento após a morte: renascer por influência do carma e de emoções destrutivas e renascer pelo poder da compaixão e das preces. Com respeito à primeira, devido à ignorância, são criados carmas negativos e positivos e suas marcas permanecem na consciência. Estas são reativadas pelo desejo e apego, nos lançando para a próxima vida. Assim temos um renascimento involuntário em reinos inferiores ou superiores. Esta é a forma pela qual seres comuns circulam incessantemente pela existência como o girar de uma roda. Mesmo sob tais circunstâncias, seres comuns podem se engajar diligentemente com uma aspiração positiva em práticas virtuosas em suas vidas cotidianas. Eles se familiarizam com a virtude, que é reativada no momento da morte para que tenham um renascimento em reinos de existência superiores. Por outro lado, bodisatvas superiores, que realizaram o caminho da visão, não renascem por força de seus carmas e emoções destrutivas, mas pelo poder da compaixão pelos seres sencientes e com base em suas preces para benefício de outros. Eles são capazes de escolher o local e o momento de seu renascimento bem como seus futuros pais. Tal renascimento, que ocorre apenas para o benefício de outros, é o renascer pelo poder da compaixão e das preces.

O Significado de Tulku

Diz-se que o costume tibetano de usar o epíteto “Tulku” (Emanação do Corpo do Buda) para reencarnações reconhecidas surgiu quando foi utilizado por devotos como um título honorário, mas desde então tornou-se uma expressão comum. Em geral, o termo Tulku se refere a um aspecto particular do Buda, um dos três ou quatro descritos no Veículo dos Sutras. De acordo com esta explicação desses aspectos do Buda, uma pessoa que é totalmente vinculada às emoções destrutivas e ao carma tem o potencial de atingir o Corpo da Verdade (Dharmakaya), que compreende o Corpo da Verdade da Sabedoria e o Corpo da Verdade da Natureza. O primeiro se refere à mente iluminada de um Buda, que enxerga tudo direta e precisamente, assim como é, instantaneamente. Libertou-se de todas as emoções destrutivas, bem como de suas marcas, pela acumulação de mérito e sabedoria por um longo período de tempo. O último, o Corpo da Verdade da Natureza, refere-se à natureza de vacuidade daquela mente iluminada onisciente. Estes dois reunidos são por si mesmos aspectos dos Budas. No entanto, por não serem diretamente acessíveis aos outros, mas apenas pelos próprios Budas, é imperativo que os Budas se manifestem em formas físicas que sejam acessíveis aos seres sencientes para ajudá-los. Por isso, o aspecto físico final de um Buda é o Corpo de Completo Regozijo (Sambhogakaya), acessível aos bodisatvas superiores, e que tem cinco qualificações definidas, tais como residir no Céu de Akanishta. E a partir do Corpo de Completo Regozijo, manifestam-se miríades de Corpos de Emanações ou Tulkus (Nirmanakaya), de Budas, que surgem como deuses ou humanos e são acessíveis até mesmo para seres comuns. Estes dois aspectos físicos do Buda são chamados Corpos da Forma, voltados para os outros.

O Corpo de Emanação é triplo: a) o Corpo de Emanação Suprema como o Buda Shakyamuni, o Buda histórico, que manifestou as doze ações de um Buda tais como ter nascido em local escolhido por ele e assim por diante; b) o Corpo de Emanação Artística que serve os outros por surgir como artesãos, artistas e assim por diante; e c) Corpo de Emanação Encarnada, de acordo com o qual surgem Budas sob várias formas como seres humanos, deidades, rios, pontes, plantas medicinais, e árvores para auxiliar seres sencientes. Destes três tipos de Corpos de Emanação, as reencarnações de mestres espirituais reconhecidos como “Tulkus” no Tibet estão na terceira categoria. Entre estes Tulkus pode haver muitos que são Corpos de Emanação Encarnados de Budas verdadeiramente qualificados, mas isto não se aplica necessariamente a todos. Entre os Tulkus do Tibet pode haver aqueles que são reencarnações de bodisatvas superiores, bodisatvas que estão nos caminhos de acumulação e preparação, bem como mestres que evidentemente ainda não iniciaram estes caminhos dos bodisatvas. Portanto, o título de Tulku é dado a Lamas reencarnados tanto com base na semelhança com seres iluminados quanto através de sua conexão com certas qualidades de seres iluminados.

Como Jamyang Khyentse Wangpo disse:

“Reencarnação é aquilo que ocorre quando uma pessoa tem um renascimento após a morte de seu predecessor; emanação é quando a manifestação ocorre sem que sua fonte tenha falecido.”

Reconhecimento das Reencarnações

A prática de reconhecer quem é quem pela identificação da vida prévia de uma pessoa ocorreu até mesmo quando o próprio Buda Shakyamuni estava vivo. Muitos relatos se encontram nas quatro Seções Agama do Vinaya Pitaka, nas histórias Jataka, no Sutra do Sábio e do Tolo, no Sutra dos Cem Carmas e assim por diante, nos quais o Tatágata revelou as operações do carma, recontando inúmeras histórias a respeito de como os efeitos de certos carmas criados em vidas passadas são vivenciados por uma pessoa em sua vida presente. Da mesma forma, nas histórias das vidas de mestres indianos, que viveram depois do Buda, muitos revelam seus locais de renascimentos anteriores. Há muitas dessas histórias, mas o sistema de reconhecimento e numeração dessas reencarnações não ocorreu na Índia.

O Sistema de Reconhecimento de Reencarnações no Tibete

Vidas passadas e futuras foram afirmadas pela tradição indígena tibetana Bon antes da chegada do Budismo. E desde que o Budismo se espalhou pelo Tibet, absolutamente todos os tibetanos acreditam em vidas passadas e futuras. As investigações de reencarnações de mestres espirituais que apoiaram o Darma, bem como o costume de rezar devotadamente a eles, floresceram em todos os lugares do Tibet. Muitas escrituras autênticas, livros tibetanos originais como o Mani Kabum e os Ensinamentos Quíntuplos Kathang e outros como Os Livro dos Discípulos Kadam e a Guirlanda de Joias: Respostas a Buscas, que foram recontados pelo glorioso e incomparável mestre indiano Atisha Dipankara no Século XI no Tibet, contam histórias de reencarnações de Arya Avalokiteshvara, o bodisatva da Compaixão. No entanto, a tradição atual de reconhecimento formal de reencarnações de mestres teve início com o reconhecimento do Karmapa Pagshi como reencarnação do Karmapa Dusum Khyenpa por seus discípulos conforme sua previsão. Desde então, existiram dezessete encarnações do Karmapa ao longo de mais de novecentos anos. Da mesma forma, desde o reconhecimento de Kunga Sangmo como reencarnação de Khandro Choekyi Dronme no Século XV existiram mais de dez encarnações de Samding Dorje Phagmo. Então, entre os Tulkus reconhecidos no Tibet há praticantes monásticos e leigos, homens e mulheres. Este sistema de reconhecimento de encarnações se espalhou gradualmente para outras tradições budistas tibetanas, e o Bon, no Tibet. Hoje, há Tulkus reconhecidos em todas as tradições budistas tibetanas, Sakya, Geluk, Kagyu e Nyingma, bem como na Jonang e Bodong, que oferecem o Darma. E também é evidente que entre estes Tulkus alguns são uma vergonha.

O onisciente Gedun Drub, que foi discípulo direto de Je Tsongkhapa, fundou o Monastério Tashi Lhunpo em Tsang e cuidou de seus alunos. Faleceu em 1464 com 84 anos de idade. Embora inicialmente nenhum esforço tenha sido feito para identificar sua reencarnação, as pessoas foram obrigadas a reconhecer uma criança chamada Sangye Chophel, nascida em Tanak, Tsang (1476), devido às surpreendentes e perfeitas recordações de sua vida passada. Desde então, iniciou-se a tradição de buscar e reconhecer as reencarnações sucessivas dos Dalai Lamas pelo Gaden Phodrang Labrang e mais tarde pelo Governo Gaden Phodrang.

As Formas de Reconhecer Reencarnações

Depois que este sistema de reconhecimento de Tulkus passou a existir, vários procedimentos começaram a ser desenvolvidos. Entre estes, alguns dos mais importantes incluem uma carta preditiva do predecessor e outras instruções e indicações que podem ocorrer; observar a reencarnação contando e falando de forma confiável sobre sua vida anterior; identificação de pertences do predecessor e reconhecimento de pessoas que eram próximas a ele. Alem destes, outros métodos incluem solicitar adivinhações de mestres espirituais confiáveis bem como buscar previsões de oráculos mundanos, que se manifestam por meio de médiuns em transe, e observar as visões que se manifestam em lagos sagrados de protetores como Lhamoi Latso, um lago sagrado ao sul de Lhasa.

Quando existe mais de um candidato em potencial a ser reconhecido como um Tulku, e torna-se difícil decidir, há uma prática para a tomada de decisão final por adivinhação que emprega o método da bola de massa de pão (zen tak) diante de uma imagem sagrada enquanto se evoca o poder da verdade.

Emanação Antes do Falecimento do Predecessor (ma-dhey tulku)

Geralmente uma reencarnação deve ser alguém que renasce como um ser humano após seu prévio falecimento. Seres humanos comuns geralmente não são capazes de se manifestar como emanação antes de sua morte (ma-dhey tulku), mas bodisatvas superiores, que podem se manifestar em centenas ou milhares de corpos simultaneamente, podem manifestar-se como emanações antes da morte. No sistema tibetano de reconhecimento de Tulkus há emanações que pertencem ao mesmo fluxo mental do predecessor, emanações conectadas a outras pelo poder do carma e preces, e emanações que surgem como resultado de bênçãos e nomeação.

O propósito principal do surgimento de uma reencarnação é a continuidade do trabalho incompleto do predecessor para servir ao Darma e aos seres. No caso de um Lama que é um ser comum, ao invés de ter uma reencarnação pertencente ao mesmo fluxo mental, uma outra pessoa conectada a este Lama por meio de carma puro e preces pode ser reconhecida como sua emanação. Como alternativa é possível ao Lama apontar um sucessor que seja seu discípulo ou alguém mais jovem para que seja reconhecido como sua emanação. Já que estas opções são possíveis para o caso de um ser comum, é possível uma emanação antes da morte que não pertença ao mesmo fluxo mental. Em alguns casos, um Lama realizado pode ter várias reencarnações simultaneamente, tais como encarnações de corpo, fala e mente e assim por diante. Recentemente, tivemos emanações antes da morte bem conhecidas como Dudjom Jigdral Yeshe Dorje e Chogye Trichen Ngawang Khyenrab.

O Uso da Urna Dourada

À medida que esta era de degeneração avança, e como cada vez mais reencarnações de lamas realizados estão sendo reconhecidas, algumas delas por motivos políticos, um número crescente tem sido reconhecido por meios inapropriados e questionáveis, e como resultado, tem sido causado um enorme prejuízo ao Darma.

Durante o conflito entre o Tibete e os Gurkhas (1791-93) o Governo Tibetano teve que recorrer à ajuda militar da Manchúria. Consequentemente, os militares Gurkha foram expulsos do Tibet, mas mais tarde os oficiais da Manchúria fizeram uma proposta de 29 pontos sob o pretexto de tornar a administração do Governo Tibetano mais eficiente. Esta proposta incluiu a sugestão de sorteio de nomes dos candidatos colocados em uma Urna Dourada para decidir o reconhecimento das reencarnações dos Dalai Lamas, Panchen Lamas e Hutuktus, um título mongol dado a Lamas importantes. Assim, este procedimento foi seguido em casos de reconhecimento das reencarnações dos Dalai Lamas, Panchen Lamas e outros Lamas importantes. O ritual a ser seguido foi escrito pelo Oitavo Dalai Lama Jampel Gyatso. Mesmo depois de tal sistema ter sido introduzido, o procedimento foi dispensado nos casos do Nono, do Décimo-Terceiro e no meu próprio caso, o Décimo-Quarto Dalai Lama.

Mesmo no caso do Décimo Dalai Lama, a reencarnação autêntica já tinha sido encontrada, e na realidade este procedimento não foi seguido; mas para agradar os oficiais da Manchúria foi meramente anunciado que o procedimento havia sido observado.

O sistema da Urna Dourada foi realmente usado apenas nos casos do Décimo-Primeiro e do Décimo-Segundo Dalai Lamas. No entanto, o Décimo-Segundo Dalai Lama já havia sido reconhecido antes do procedimento ter sido empregado. Sendo assim, houve apenas uma ocasião em que o Dalai Lama foi reconhecido por esse método. Da mesma forma, entre as reencarnações do Panchen Lama, com exceção do Oitavo e do Nono, este método não foi empregado em nenhum outro caso. Este sistema foi imposto pelos manchurianos, mas os tibetanos não acreditavam nele por ser desprovido de qualquer qualidade espiritual. No entanto, se fosse utilizado de forma honesta, poderíamos considerá-lo um método similar à adivinhação pelas bolas de massa de pão (zen tak).

Em 1880, durante o reconhecimento de Décimo-Terceiro Dalai Lama como a reencarnação do Décimo-Segundo, ainda existiam traços da relação religiosa-temporal entre o Tibet e a Manchúria. Ele foi reconhecido como a reencarnação inequívoca do oitavo Panchen Lama, pelas previsões dos oráculos de Nechung e Samye e pelas visões em Lhamoi Latso, e por isso o procedimento da Urna Dourada não foi seguido. Isto pode ser claramente compreendido por meio do testamento final do Décimo-Terceiro Dalai Lama do Ano do Macaco de Água (1933) no qual ele declara:

“Como vocês sabem, eu não fui escolhido pela forma costumeira de sorteio da Urna Dourada, mas minha escolha foi anunciada e adivinhada. De acordo com essas adivinhações e profecias eu fui reconhecido como a reencarnação do Dalai Lama e entronado.”

Quando eu fui reconhecido como a Décima-Quarta encarnação do Dalai Lama em 1939 a relação religiosa-temporal entre o Tibet e a China já havia chegado ao fim. Portanto, não havia dúvidas sobre qualquer necessidade de confirmar a reencarnação pelo uso da Urna Dourada. Sabe-se bem que o Regente do Tibet e a Assembleia Nacional Tibetana seguiram o procedimento de reconhecimento da reencarnação do Dalai Lama levando em conta as profecias de Lamas realizados, oráculos e de visões no Lhanoi Latso; os Chineses não tiveram absolutamente nenhum envolvimento. No entanto, mais tarde alguns oficiais do Guomintang (Partido Nacionalista Chinês) ardilosamente espalharam mentiras nos jornais alegando que eles haviam concordado em renunciar ao uso da Urna Dourada e que Wu Chung-tsin havia presidido minha entronização, e assim por diante. Esta mentira foi exposta por Ngabo Ngawang Jigme, o Vice-Presidente da Comissão Permanente do Congresso Popular Nacional, a quem a República Popular da China considerou a pessoa mais progressista, na Segunda Sessão do Quinto Congresso Popular da Região Autônoma do Tibet (31 de Julho de 1989). Isto fica claro quando, no final de seu discurso, no qual deu explicações detalhadas dos eventos e apresentou evidências documentadas, ele insistiu:

“Que necessidade há de o Partido Comunista seguir o exemplo e dar continuidade às mentiras do Guomintang?”

Estratégia Enganosa e Falsas Esperanças

No passado recente, existiram casos de gestores irresponsáveis dos espólios de lamas abastados que se entregaram a métodos impróprios para reconhecer reencarnações, os quais têm prejudicado o Darma, a comunidade monástica e nossa sociedade. Além do mais, desde a era manchuriana, autoridades políticas chinesas repetidamente se engajaram em vários meios traiçoeiros utilizando o budismo, mestres budistas e Tulkus como instrumentos para atingir seus objetivos políticos, envolvendo-se em questões mongóis e tibetanas. Atualmente, os governantes autoritários da República Popular da China, que como comunistas rejeitam a religião, mas ainda se envolvem em questões religiosas, impuseram a chamada campanha de reeducação e declararam a chamada Ordem nº Cinco, com respeito ao controle e reconhecimento de reencarnações, que passou a vigorar em 1º de Setembro de 2007. Isto é ultrajante e vergonhoso. A aplicação de vários métodos inapropriados de reconhecimento de reencarnações para erradicar nossas incomparáveis tradições culturais tibetanas está causando danos difíceis de serem reparados.

Além do mais, eles dizem que estão aguardando a minha morte e que reconhecerão o Décimo-Quinto Dalai Lama de sua escolha. É claro que, a partir de suas recentes regras e regulamentos e subsequentes declarações , eles têm uma estratégia detalhada para enganar os tibetanos, seguidores da tradição budista tibetana, e a comunidade mundial. Portanto, como eu tenho a responsabilidade de proteger o Darma e os seres sencientes contra tais regimes prejudiciais, eu faço a seguinte declaração.

A Próxima Encarnação do Dalai Lama

Como mencionei anteriormente, a reencarnação é um fenômeno que pode ocorrer por meio de escolha voluntária da pessoa em questão ou ao menos pela força de seu carma, mérito e preces. Portanto, a pessoa que reencarna tem autoridade legitimada exclusiva sobre onde e como ele ou ela terá renascimento e como a reencarnação será reconhecida. É uma realidade que ninguém mais pode forçar a pessoa em questão, ou manipulá-la. É particularmente inapropriado para os comunistas chineses, que explicitamente rejeitam até mesmo a idéia de vidas passadas e futuras, quanto mais o conceito de Tulkus reencarnados, interferirem no sistema de reencarnação e especialmente de reencarnações dos Dalai Lamas e Panchen Lamas. Tal intromissão descarada contradiz suas próprias ideologias políticas e revela sua duplicidade de parâmetros. Se esta situação continuar no futuro, será impossível para os tibetanos e para aqueles que seguem a tradição budista tibetana reconhecê-la ou aceitá-la.

Quando eu tiver cerca de noventa anos, eu consultarei os lamas realizados das tradições budistas tibetanas, o público tibetano e outras pessoas pertinentes que seguem o budismo tibetano, e reavaliarei se a instituição do Dalai Lama deve continuar ou não. Sobre esta base tomaremos uma decisão. Se for decidido que a reencarnação do Dalai Lama deve continuar e que há a necessidade de que o Décimo-Quinto Dalai Lama seja reconhecido, a responsabilidade por fazê-lo será principalmente dos Oficiais do Gaden Phodrang do Dalai Lama. Eles deverão consultar os vários chefes das tradições budistas tibetanas e os protetores do Darma comprometidos e confiáveis que estão inseparavelmente ligados à linhagem dos Dalai Lamas. Eles deverão buscar aconselhamento e instruções destes seres e conduzir os procedimentos de procura e reconhecimento de acordo com a tradição do passado. Eu deixarei instruções escritas claras sobre isso. Tenham em mente que, com exceção de reencarnações reconhecidas por meio de tais métodos legítimos, nenhum reconhecimento ou aceitação deverão ser concedidos a um candidato escolhido para fins políticos de ninguém, incluindo aqueles da República Popular da China.

O Dalai Lama

Dharamsala




Declaração de SS o Dalai Lama | Bodisatva: um olhar budista

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Kyabje Trulshik Rinpoche

Four lines of advice

Quatro linhas de aconselhamento

por kyabje Trulshik Rinpoche

Meditate upon love and compassion toward those who are suffering.
Meditem sobre o amor e a compaixão para com aqueles que estão sofrendo.

Rejoice for those who have peace and happiness.
Regozijem-se por aqueles que têm paz e felicidade.

Pray to the Lama – don`t get distracted by other things.
Orem ao Lama - não se distraiam com outras coisas.

Maintain clear awareness, the intrinsic nature of mind – observe your present mind.
Mantenham a atenção, a natureza intrínseca da mente – observe a sua mente presente.

Estas quatro linhas de aconselhamento foram escritas na Gruta de Maratika (Nepal) para seus amigos e discípulos por Kyabje Trulshik Rinpoche, a pedido de Tulku Pema Wangyal Rinpoche. 
 
foto:Kyabje Rinpoche com Tulku Pema Wangyal Rinpoche, em 2001 em Portugal

joan halifax sobre compaixão



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sábado, 23 de julho de 2011

livros ed.zéfiro: budismo chan






KARMA, MEDITAÇÃO E SABEDORIA e A ENGENHARIA DA VIDA
Venerável Mestre Hsin Ting
SABEDORIA BUDISTA PARA UMA PRÁTICA QUOTIDIANA

KARMA, MEDITAÇÃO E SABEDORIA
As nossas acções podem gerar karmas positivos, negativos ou neutros, dependendo do propósito das nossas acções. Através da prática da meditação podemos ter um domínio de nós próprios, procurando compreender com clareza as consequências das nossas emoções. Ao tomarmos consciência de que no universo nada surge ou se forma por si só, que tudo está em permanente transformação e muda a todo o instante, podemos então tranquilizar a nossa mente.

Praticar meditação tendo a sabedoria como aliada é perceber que o mundo surge em função de causas e condições, que os elementos se juntam e se separam, produzindo e cessando todos os fenómenos. Os ensinamentos do budismo mostram-nos o caminho para a felicidade, isto é, conhecer as causas e condições para o surgimento ou desaparecimento dos fenómenos no universo, sejam eles objectos, situações, pessoas, ou mesmo sentimentos. No processo meditativo, o praticante alcança serenidade, paz e tranquilidade, imprescindíveis à identificação do fluxo natural de todos os fenómenos.

PVP: 11,50 Eur |
Internet: 10,35 Eur (-10%) | Nº de Páginas: 104 | Formato: 14,80 x 21 cm | ISBN: 978-989-677-066-2


A ENGENHARIA DA VIDA
Os ensinamentos do Buda, o Dharma, dão-nos as directrizes de como construir a nossa vida futura. Porém, a esperança de uma vida futura melhor não será realizada enquanto estivermos de braços cruzados à espera que ela surja. É preciso que nos empenhemos com dedicação na nossa autocorrecção, o que nos trará benefícios no presente. Para isso, os primeiros passos implicam começar a controlar os nossos próprios actos.

Buda deixou os seus ensinamentos para nos guiar ao nirvana, mostrando-nos o caminho para a libertação do sofrimento por meio de um budismo para a vida, um Budismo Humanista. Seguir os preceitos e praticar a meditação são os primeiros passos para observarmos e identificarmos a mente iludida. A acção para o autocontrolo e o desapego necessitará da orientação da sabedoria, da mente desperta para tal. Agindo dessa forma, podemos beneficiar-nos e aos demais, cultivando méritos e sabedoria, colocando em acção a sábia compaixão.

PVP: 11,50 Eur |
Internet: 10,35 Eur (-10%) | Nº de Páginas: 104 | Formato: 14,80 x 21 cm | ISBN: 978-989-677-065-5

SOBRE O AUTOR
O Reverendo Mestre Hsin Ting foi Director-Chefe do Comité de Assuntos Religiosos e Abade Geral do Mosteiro Fo Guang Shan no período de 1997 a 2005; tendo ainda sido líder do Centro Internacional de Meditação Ch'an. Nasceu no Condado de Yunlin, Taiwan, em 1944. Conheceu o Venerável Mestre Hsing Yün – o 48º Patriarca do Budismo Ch'an e Fundador do Mosteiro Fo Guang Shan –, tornando-se seu discípulo leigo quando ainda era um jovem recruta nas Forças Armadas do seu país. Uma vez terminado o serviço militar, professou os votos monásticos, em 1968, como o terceiro bhikshu ("monge") de Fo Guang Shan. Deu continuidade aos seus estudos graduando-se pelo Eastern Buddhist College e pelo Instituto de Pesquisa Indiana da Universidade Cultural da República da China. Doutorou-se em Filosofia pela University of West de Los Angeles, Califórnia, nos Estados Unidos. O Reverendo Mestre Hsin Ting, tem tido uma participação intensa e directa no desenvolvimento das diferentes áreas de Fo Guang Shan nos últimos 40 anos. Escreveu diversos artigos para as revistas Portal Universal e O Despertar do Mundo, publicadas pelo mesmo mosteiro. Foi ainda abade dos templos Hsi Lai nos Estados Unidos, Pu Men em Taipei, Pu Hsien em Kaohsiung, Ho-ming e Lung Hua na Malásia. Em 1994 ocupou o cargo de Vice-Presidente da Associação Internacional de Jovens Budistas e actualmente encontra-se no cargo de Presidente da Associação Internacional Luz de Buda – BLIA – da República da China. Devido à sua vasta experiência em meditação e ao seu vigoroso espírito de compaixão, o Reverendo Mestre Hsin Ting tem assumido e difundido por todo o mundo o ideal do Budismo Humanista preconizado pelo Venerável Mestre Hsing Yün. O Reverendo Mestre é um notável Mestre de Meditação Ch'an (Zen) e monge de múltiplos talentos, sendo versado em Darma, cântico budista e composição musical, entre tantas outras aptidões. É conferencista de temas como: Gênese Condicionada, Prajña ("Suprema Sabedoria") e ensinamentos budistas aplicáveis à vida do homem actual. Tem realizado inúmeras conferências em todo o mundo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pacificar e despertar a mente pelo bem de todos os seres - Retiro de meditação - 19/21 Agosto




Casa Grande – Paços da Serra (19 a 21 de Agosto 2011)

Programa:

Dia 19:

19.00- 22.00- Acolhimento e introdução ao Retiro / jantar frugal vegetariano

Dia 20:

7.00 – Sessão de Meditação
8.00- Pequeno almoço
9.00-13.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Shamatha – estabilização da mente na atenção plena às sensações físicas, à respiração e ao fluxo das emoções e dos pensamentos.
13.30- Almoço vegetariano em restaurante de aldeia
15.00-19.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Introdução a Vipassana – A visão profunda da natureza da mente e das percepções externas e internas.
19.30- Jantar vegetariano em restaurante de aldeia

Dia 21 (neste dia parte do Retiro decorrerá em silêncio)

7.00 – Sessão de meditação
8.00- Pequeno almoço
9.00-13.00 – Refúgio na liberdade, na via e na comunidade que segue a via para a liberdade. Troca/Tonglen – alquimia das emoções e abertura do coração a todos os seres.
13.30- Almoço vegetariano em restaurante de aldeia
15.00-18.00 – Os cinco treinos da atenção: viver para o bem de tudo e de todos. Introdução à meditação com mantras.

O retiro será facilitado por Paulo Borges, professor de Filosofia na Universidade de Lisboa e presidente da União Budista Portuguesa e inspira-se na via não-sectária do mestre budista Tich Nhat Hanh, que pode ser praticada por crentes de todas as religiões assim como agnósticos e ateus .
Terá lugar na "Casa Grande", Turismo de Habitação em Paços da Serra, Serra da Estrela.

Preço por pessoa refeições incluídas
Quarto( 1 Pax) Quarto (2 Pax ) Cama extra/sala (2 pax)

2 Dias + 2 Noites 170€ 160€ 150€
Para outras situações contactar por e-mail ou telemóvel

- É necessário inscrever-se previamente por telefone ou e-mail até 12 de Agosto
- É importante trazer almofada e tapete de meditação
- O evento só se realizará com um mínimo de participantes

Para reservas contactar:
Margarida Vasconcelos
info@casagrande.com.pt

www.casagrande.com.pt
Tlm: 934297935 (excepto de 18 a 30 de Julho)

Para mais informações sobre o retiro :
Paulo Borges
pauloaeborges@gmail.com

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Pacificar e despertar a mente pelo bem de todos os seres - Retiro de meditação - 19/21 Agosto

Casa Grande – Paços da Serra (19 a 21 de Agosto 2011)

Programa:

Dia 19:

19.00- 22.00- Acolhimento e introdução ao Retiro / jantar frugal vegetariano

Dia 20:

7.00 – Sessão de Meditação
8.00- Pequeno almoço
9.00-13.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Shamatha – estabilização da mente na atenção plena às sensações físicas, à respiração e ao fluxo das emoções e dos pensamentos.
13.30- Almoço vegetariano em restaurante de aldeia
15.00-19.00 (com intervalos) – Sessões teórico-práticas de meditação sentada e em andamento. Introdução a Vipassana – A visão profunda da natureza da mente e das percepções externas e internas.
19.30- Jantar vegetariano em restaurante de aldeia

Dia 21 (neste dia o Retiro decorrerá parcialmente em silêncio)

7.00 – Sessão de meditação
8.00- Pequeno almoço
9.00-13.00 – Refúgio na liberdade, na via e na comunidade que segue a via para a liberdade. Troca/Tonglen – alquimia das emoções e abertura do coração a todos os seres.
13.30- Almoço vegetariano em restaurante de aldeia
15.00-18.00 – Os cinco treinos da atenção: viver para o bem de tudo e de todos. Introdução à meditação com mantras.

O retiro será facilitado por Paulo Borges, professor de Filosofia na Universidade de Lisboa e presidente da União Budista Portuguesa e inspira-se na via não-sectária do mestre budista Tich Nhat Hanh, que pode ser praticada por crentes de todas as religiões, assim como agnósticos e ateus.

Terá lugar na "Casa Grande", Turismo de Habitação em Paços da Serra, Serra da Estrela.

Preço por pessoa com refeições incluídas: Quarto (1 Pax) 170 euros; Quarto (2 Pax) 160 euros; Cama extra/sala (2 pax) 150 euros

Para mais informações contactar por mail ou telefone.

- É necessário inscrever-se previamente por telefone ou e-mail até 12 de Agosto
- É importante trazer almofada e tapete de meditação
- O evento só se realizará com um mínimo de participantes

Para reservas contactar:
Margarida Vasconcelos
info@casagrande.com.pt

www.casagrande.com.pt
Tlm: 934297935 (excepto de 18 a 30 de Julho)

Para mais informações sobre o retiro :
Paulo Borges
pauloaeborges@gmail.com

quarta-feira, 6 de julho de 2011

aniversário do Dalai lama

July 6th, His Holiness the Dalai Lama's birthday

Prayers for the long life of H. H, the Dalai Lama:

Kangri rawé korwé shingkam su
In the celestial realm encircled by snow peaks,

Pen tang dewa malü jungwé né
You are the source of every happiness and benefit;

Chenrezi wong tendzin gyatso yi
Tenzin Gyatso, Avalokiteshvara himself,

Shappé kel gya bartu tengyur chik
May your lotus feet remain firm for a hundred eons!

Tongnyi nyingjé zungtu jukpai lam
Protector of the teaching and beings of Tibet, you who greatly elucidate

Chéchér sel dzé kangchen ten drö gön
The path combining emptiness and compassion—

Chana pémo tendzin gyatso la
Ocean of Teachings Tenzin Gyatso, Padmapani holding a lotus in your
hand,

Sölwa depso zhétön lhündrup shok
To you I pray, may all your wishes spontaneously be fulfilled.


-Written by His Holiness himself according to the wishes of Kyabjé Dilgo Khyentse Rinpoche-

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Peregrinação à Índia

Documentário transmitido na RTP2 sobre a viagem à Índia, com o tema "Nos passos de Buda""

Depois de entrar no site procure na barra inferior o dia 29-05-2011.

Espero que goste :)

RTP - CAMINHOS clique em cima para ver

segunda-feira, 27 de junho de 2011

meditação em grupo

Quaisquer que foram os motivos que nos trouxeram até a prática da meditação - sugestão de um amigo, um livro, acaso, moda - o primeiro passo é aprender e participar da meditação em grupo. 

A meditação em grupo é uma das actividades mais básicas e a mais importante das atividades em grupo. Cada sessão de meditação em grupo é uma oportunidade para experimentar a força e a alegria que há em nós, mesmo que não por muito tempo. 

A prática em grupo não apenas nos incentiva a praticar individualmente mas também é um apoio para os outros praticantes e ajuda a se fortalecer como um todo e a fortalecer a sua pratica individual. 

Participe, pertença, faça parte, faça laços.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dhikr SUFI na União Budista Portuguesa, Sábado 25 de Junho às 21,30, participação livre e gratuita



O dhikr ('menção', 'recordação') é uma das técnicas utilizadas pelos Sufis. Trata-se da repetição salmodiada dos Nomes Divinos, que nutre o coração e acalma a mente, abrindo uma janela sobre o mundo invisível. O dhikr pode ser individual ou grupal, silencioso ou salmodiado e ainda acompanhado por instrumentos musicais e danças místicas.

Estarão presentes, além dos representantes de Mawlana Shaykh Nazim (Mestre da ordem Sufi Naqshbandi) em Portugal, dois importantes representantes internacionais do Sufismo:
Shaykh Ahmad Dedé, iniciado nas ordem Sufis Mevlevi e Naqshbandi, autorizado ao ensino da dança rodopiante Sufi por Mawlana Shaykh Nazim al-Haqqani ar-Rabbani de Chipre (Mestre da ordem Sufi Naqshbandi); de origem indonésia, vive com a família dele em Holanda; com doçura e humildade conduz seminários de meditação, cantos e dança Sufi onde o despertar espiritual é alcançado tocando as vibrantes cordas do coração;http://blip.tv/naqshbandi/episodio-10-taller-de-giro-derviche-sheikh-ahmed-dede-la-vera-5223234

Shaykh 'Umar Margarit, representante e responsável da ordem Sufi Naqshbandi e de Mawlana Shaykh Nazim na Espanha.

A comunidade Sufi Naqshbandi agradece a União Budista Portuguesa pela fraterna disponibilização do espaço onde realizarmos o dhikr.

Sejam bem-vindos/as!

-- السلام عليكم - as-Salâm 'alaykum!
A comunidade Sufi Naqshbandi portuguesa
http://oceanosdemisericordia.blogspot.com

sábado, 18 de junho de 2011

o caminho da grande perfeição



é um guia absolutamente inspirador e único para aqueles que desejam estudar e praticar o budismo. Esperei muito para ver estas palavras traduzidas para português ... ponham-nas em prática. "Pema Wangyal Rinpoche, In Prefácio à Edição Portuguesa, ed. ésquilo, 2007

Para realizar uma transferencia é preciso esperar o momento certo, senão arriscamo-nos a perder tudo disse Patrul Rinpoche (1808-1887- hoje é o seu aniversário) um grande mestre tibetano que passou grande parte de sua vida viajando de um lugar a outro como um iogue, meditando em cavernas isoladas e visitando locais sagrados."cão ou cachorro velho" era o seu nome esotérico que lhe tinha sido dado por um outro mestre. Patrül Rinpoche viu que as propriedades e as condições desejáveis — como ter uma abundância de comida, boas roupas, moradias confortáveis, cumprimentos e fama — são mais um obstáculo do que suporte no progresso espiritual.

um episódio da sua vida:
" Ele era uma pessoa de grande humildade e simplicidade, ainda assim era hábil para acomodar muitos eruditos nobres, ricos, poderosos e famosos como seus discípulos. Muitos discípulos em vestes de brocado, rodeados por hostes de séqüitos, vinham aos pés deste habitante solitário com roupas velhas, esfarrapadas e remendadas, que dificilmente tinha tsampa suficiente para comer ou combustível para aquecer chá. Até mesmo havia ocasiões em que sua humildade envergonhava as pessoas envoltas em brocado cavalgando cavalos, e Patrül Rinpoche expunha suas fraquezas.

Uma vez, Patrül Rinpoche viajou através de um campo nômade a pé, como de costume. Parou em uma família com uma grande tenda e perguntou se poderiam deixá-lo descansar durante alguns dias, pois estava exausto. A família perguntou, "Você pode ler preces?" Patrül Rinpoche respondeu, "Um pouco." Então, eles permitiram alegremente que Patrül Rinpoche entrasse e o deixaram se instalar no canto inferior da tenda. Muitas pessoas estavam ocupadas fazendo objetos rituais, colocando tendas, construindo assentos altos e cozinhando comida para um grande lama e sua comitiva, que estavam vindo para realizar uma cerimônia importante. Quando ouviram que o grande lama estava chegando e todos correram para recebê-lo. Patrül Rinpoche não saiu. As pessoas quase o arrastaram para que se apresentasse diante do lama.
O lama, vestido em brocado, saiu com toda pompa de quase quarenta cavaleiros em comitiva, segurando estandartes em suas mãos como se fosse em um jogo. Quando o grande lama viu Patrül Rinpoche, ele pulou do seu cavalo e caiu aos pés do mestre, envergonhado com sua pomposa exibição insignificante diante da presença significativa e humilde do grande Patrül Rinpoche. O lama era um discípulo de Patrül Rinpoche. A partir daquele dia, o lama renunciou ao seu modo de vida pomposo, tornou-se um eremita e nunca mais andou a cavalo novamente, mas sim caminhava quando viajava por aí. As pessoas acreditaram que Patrül Rinpoche tinha previsto este encontro através de sua clarividência, uma capacidade que tinha mostrado muitas vezes."

No Tibet Oriental, Patrül Rinpoche talvez tenha sido o mais instrumental em fazer o Om Mani Padme Hum ser a respiração perpétua de muitas pessoas.


Este seu livro foi 1º traduzido em françês, depois em inglês e espanhol, e em 2007 em português e no brasil em 2008_A imagem da capa do livro no brasil é um detalhe do mural da capela Gheku, no Monastério de Samye, Tibete. Ela ilustra as Oito Substâncias Auspiciosas (o espelho, o iogurte, o medicamento, a grama durva , a fruta bilva , a concha branca, o cinabre em pó e a semente de mostrada branca) que foram oferecidas a Buda Śākyamuni e representam o Nobre Caminho Óctuplo (compreensão, pensamento, atenção plena, fala, ação, esforço, concentração e meio de vida corretos).



















domingo, 29 de maio de 2011

novo filme budista "My reincarnation"

http://myreincarnationfilm.com/film/trailer/
http://youtu.be/iZAkpCdrcpE

MY REINCARNATION is an epic father-son drama, spanning two decades and three generations, about spirituality, cultural survival, identity, inheritance, family, growing old, growing up, Buddhism, Dzogchen—and past and future lives. The film follows the renowned reincarnate Tibetan spiritual master, Chögyal Namkhai Norbu, as he struggles to save his spiritual tradition, and his Italian born son, Yeshi, who stubbornly refuses to follow in his father’s footsteps. Yeshi was recognized at birth as the reincarnation of his father’s uncle, a high spiritual master who died at the hands of the Chinese in Tibet. But while Yeshi longs for a normal life, he cannot escape his destiny... 

domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa - uma reflexão incómoda

Comemora-se hoje o Domingo de Páscoa, uma das grandes festas da Cristandade e da cultura ocidental. Religiosos ou não, milhões de seres humanos, em Portugal e no mundo, estão a reunir-se em família à volta dos mais diversos petiscos e iguarias, comungando e celebrando a alegria e o prazer de estarem juntos na maravilhosa aventura da vida.

É humano. Mas será também humano não terem consciência ou procurarem esquecer que, ao fazê-lo, estão na imensa maioria dos casos a usufruir de uma alegria e de um prazer obtidos à custa do sacrifício involuntário, forçado, violento e doloroso de muitos milhões de vidas de animais, indivíduos conscientes e sencientes que, tal como nós, têm um interesse fundamental em estar vivos, com liberdade e bem-estar?

Páscoa, do hebreu Pésah, deriva provavelmente do verbo pasah, “saltar por cima” e assumiu o sentido de passagem, correspondendo nos nossos calendários a um tempo de regeneração. O filósofo judeu Fílon de Alexandria, contemporâneo de Cristo, viu a Páscoa como a libertação do espírito do domínio das paixões obscuras. E Cristo foi assumido pelos cristãos como aquele que dá a vida e o sangue pelos outros, pondo fim a todo o sacrifício sangrento do outro, humano ou animal. É nessa mutação ética e espiritual que consiste a verdadeira Ressurreição, que nos evangelhos gnósticos, como o de Filipe, é algo a viver desde já, em vida, e não após a morte. Algo a viver a cada instante e não só num Domingo por ano.

Parece evidente não ser esse o exemplo que seguimos, quando nos banqueteamos com a carne dos animais (terrestres ou aquáticos). Parece evidente que na Páscoa que inconscientemente celebramos nada há de “saltar por cima”, de transcender, de ir além dos nossos apetites mais irracionais e dos nossos hábitos familiares e sociais mais enraizados. Parece evidente que nesta Páscoa nada há de pascal, como no Natal nada há de natalício, sempre que um homem novo não nasça no presépio da alma.

Mas se é humano ter hábitos, mais humano ainda é reflectir sobre eles e questioná-los. Apelo por isso a que hoje, quando nos debruçarmos sobre as mesas familiares adornadas e repletas dos mais apetecíveis manjares, sejamos capazes de contemplar nem que seja um minuto a crua realidade de estarem cheias dos corpos dilacerados de seres antes vivos como nós, a maioria deles criados em condições de holocausto e abatidos para nos proporcionarem uns brevíssimos minutos de prazer sensorial e fútil, que logo se desvanece para nos deixar com a mesma insatisfação de sempre. E então, se não somos ainda capazes de renunciar a esse alimento, levemo-lo à boca, mastiguemo-lo e engulamo-lo. Mas com um mínimo de consciência e compaixão pelo companheiro de existência a quem fazemos passar pelo que mais tememos e menos desejamos: a morte violenta, sem que a nossa vida disso dependa.

Será incómodo, decerto, mas valerá a pena. Tornará a nossa Páscoa menos cega e mais pascal, mais propícia a uma transformação da consciência, a uma passagem, a um ir para além da nossa ignorância e insensibilidade. Será um daqueles incómodos que nos tornam seres humanos melhores. Sobretudo se, na nossa tomada de consciência do sofrimento dos animais, não esquecermos o dos homens, o de todos os seres, abrindo o coração à infinita compaixão pela dor do mundo. É isso que nos pode abrir o caminho da grande e verdadeira Alegria, a de ver que é possível acabar com o sofrimento, começando por aquele de que somos directamente responsáveis.

24.04.2011 - Domingo de Páscoa

sábado, 23 de abril de 2011

"KUNDUN" - 25 de Abril, 12h 20m, Canal Hollywood




Este filme de Martin Scorsese, baseado na história da vida do Dalai Lama - desde a infância até à sua partida para o exílio, na India - será exibido na

próxima 2ª feira no Canal Hollywood, às 12h 20m.

Um filme certamente interessante, com a promessa de qualidade que o nome deste realizador nos oferece.
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Foto:Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, em criança

terça-feira, 19 de abril de 2011

Tulku Lobsang Rinpoche em Portugal - 25 e 26 Abril

Palestra Pública
Com o Tema: "Liberte-se, dominando o medo e as expectativas"


Lançamento do novo DVD “Cutting Through”
Um documentário sobre TOG CHOD - A Espada da Sabedoria
O Tog Chod ou prática da Espada da Sabedoria, é uma combinação de posturas corporais, movimentos e visualizações. Esta prática meditativa fortalece-nos de modo a que possamos reduzir os nossos medos e expectativas.


Local, data e hora, em LISBOA:
25 de Abril às 19h00
HOTEL VILLA RICA - Av 5 de Outubro, 295 , em LISBOA 
(Junto da Estação de Entrecampos)


Contribuição sugerida: 5€
Inscrição: manuela.dalmeida@tibetanos.com


Local, data e hora no PORTO:
26 de Abril às 21h30,
HOTEL TUELA - Rua Arq. Marques da Silva, 200
(Junto ao Shopping Cidade do Porto)


Contribuição sugerida: 5€
Inscrição: nm.portugal@gmail.com

NOTA: Por razões logísticas agradecemos inscrição