quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Buda segundo Eça de Queirós

"E por falar em historia, muito approvo, minha estudiosa Clara, que andes lendo a do divino
Budha. Dizes, desconsoladamente, que elle te parece apenas um Jesus muito
complicado. Mas, meu amor, é necessario desentulhar esse pobre Budha da densa
alluvião de Lendas e Maravilhas que sobre elle tem acarretado, durante seculos, a
imaginação da Asia. Tal como ella foi, deprendida da sua mythologia, e na sua nudez
historica, nunca alma melhor visitou a terra, e nada iguala, como virtude heroica, a
Noite do Renunciamento. Jesus foi um proletario, um mendigo sem vinha ou leira, sem
amor nenhum terrestre, que errava pelos campos da Galiléa, aconselhando aos homens a
que abandonassem como elle os seus lares e bens, descessem á solidão e á mendicidade,
para penetrarem um dia n'um Reino venturoso, abstracto, que está nos Céos. Nada
sacrificava em si e instigava os outros ao sacrificio chamando todas as grandezas ao
nivel da sua humildade. O Budha, pelo contrario, era um Principe, e como elles
costumam ser na Asia, de illimitado poder, de illimitada riqueza: casára por um
immenso amor, e d'ahi lhe viera um filho, em quem esse amor mais se sublimára: e
este principe, este esposo, este pae, um dia, por dedicação aos homens, deixa o seu
palacio, o seu reino, a esposada do seu coração, o filhinho adormecido no berço de
nacar, e, sob a rude estamenha de um mendicante, vai através do mundo esmolando e
prégando a renuncia aos deleites, [242] o aniquilamento de todo o desejo, o illimitado
amor pelos sêres, o incessante aperfeiçoamento na caridade, o desdem forte do
ascetismo que se tortura, a cultura perenne da misericordia que resgata, e a confiança na
morte...
Incontestavelmente, a meu vêr (tanto quanto estas excelsas coisas se podem discernir
d'uma casa de Paris, no seculo XIX e com defluxo) a vida do Budha é mais meritoria. E
depois considera a differença do ensino dos dois divinos Mestres. Um, Jesus, diz: «Eu
sou filho de Deus, e insto com cada um de vós, homens mortaes, em que pratiqueis o
bem durante os poucos annos que passaes na terra, para que eu depois, em premio, vos
dê a cada um, individualmente, uma existencia superior, infinita em annos e infinita em
delicias, n'um palacio que está para além das nuvens e que é de meu Pae!» O Budha,
esse, diz simplesmente: «Eu sou um pobre frade mendicante, e peço-vos que sejaes
bons darante a vida, porque de vós, em recompensa, nascerão outros melhores, e d'esses
outros ainda mais perfeitos, e assim, pela pratica crescente da virtude em cada geração,
se estabelecerá pouco a pouco na terra a virtude universal!» A justiça do justo, portanto,
segundo Jesus, só aproveita egoistamente ao justo. E a justiça do justo, segundo o
Budha, aproveita ao sêr que o substituir na existencia, e depois ao outro, que d'esse
nascer, sempre durante a passagem na terra, para lucro eterno da terra. Jesus cria uma
aristocracia de santos, que arrebata para o céo onde elle é Rei, e que constituem a côrte
do céo para deleite da sua divindade; e não vem d'ella proveito directo para o
Mundo, que continua a soffrer da sua porção de Mal, sempre indiminuida. O Budha,
esse, cria, pela somma das virtudes individuaes, santamente accumuladas, uma
humanidade que em cada cyclo nasce progressivamente melhor, que por fim se torna
perfeita, e que se estende a toda a terra d'onde o Mal desapparece, e onde o Budha é
sempre, á beira do caminho rude, o mesmo frade mendicante. Eu, minha flor, sou pelo
Budha. Em todo o caso, esses dois Mestres possuiram, para bem dos homens, a maior
porção de Divindade que até hoje tem sido dado á alma humana conter. De resto, tudo
isto é muito complicado; e tu sabiamente procederias em deixar o Budha no seu
Budhismo, e, uma vez que esses teus bosques são tão admiraveis, em te retemperar na
sua força e nos seus aromas salutares. O Budha pertence á cidade e ao collegio de
França: no campo a verdadeira Sciencia deve cahir das arvores, como nos tempos de
Eva. Qualquer folha de olmo te ensina mais que todas as folhas dos livros. Sobretudo do
que eu que aqui estou pontificando, e fazendo pedantescamente, ante os teus lindos
olhos, tão finos e meigos, um curso escandaloso de Religiões Comparadas.
"

correspondência de Fradique Mendes, Eça de Queirós, Porto, 1900

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O Buda rejeitou a austeridade

O Buda adoptou uma vida de austeridade após deixar o palácio do seu pai, onde vivia no luxo. Mas após experimentá-la, Buda rejeitou a austeridade extrema como caminho para a libertação do sofrimento (nibbana), e escolheu em vez disso o caminho do meio.
Após abandonar a austeridade extrema, aceitando uma malga de yogurt de uma mulher, ele continuou o seu caminho e por fim atingiu a iluminação.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

uma musica:Lena d'Água: TAO

Lena d'Água: TAO: "http://youtu.be/J_HjiON-DeU

"Subo até ao alto da montanha
À procura de um guru
Olham frias as estátuas de Mu
Faço como o monge no Tibete
Que ao frio se senta nu
Olham mudas as estátuas de Mu
Deixo o corpo ao sabor do vento
Como as canas de bambu
Ficam quietas as estátuas de Mu
Lanço um grito no lago do espaço
Faço ondas como tu
Ficam mudas as estátuas de Mu"

Letra e música de Luis Pedro
Fonseca
Álbum de 1986 Terra Prometida,
Lena d’Água


techno25000 escreveu...

Esta é pra ouvir naquelas horas de
preguiça em que nada apetece fazer, só ouvir boa música mesmo :)) E o
toque oriental remete para lugares imaginários que há muito se deseja
conhecer. É só fechar os olhos e deixar-mo-nos levar no embalo em
direcção ao Oriente :)

Maria João Matos
escreveu...


namarië :) **)O(**


TAO

in Terra Prometida, 1986

domingo, 30 de novembro de 2014

"uma ética

secular inclui os que são religiosos e não exclui os não crentes.Todos devem contribuem para um mundo melhor." Dalai Lama, 2000

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

hoje, dia 24

 faz 13 anos que Sua Santidade o XIV Dalai Lama visitou pela primeira vez Portugal em 2001. Esta publicação é o agradecimento da Sangha Portuguesa a Kyabdge Trulshik Rinpoche e a Taklung Tsetrul Pema Wangyal Rinpoche, que tornaram possível esta primeira visita de Sua Santiidade a Terras Lusitanas.
http://youtu.be/b0bP2iSzsFI

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

PLANTAÇÃO DE SOBREIROS NO Algarve

Caros amigos,
A Mother Earth PT, uma associação ambientalista fundada por Pema Wangyal Rinpoche, vai reflorestar uma zona da Serra de Mú, sítio do Malhão, Algarve. Neste local é o único sítio no nosso país onde existe um Stupa. Se quiser ajudar-nos a combater as alterações ambientais, restaurando um pouco da vegetação autóctone de uma das mais belas serras do sul do país e aproveitar para visitar o STUPA do Malhão, venha connosco ao Algarve, dias 29 de 30 deste mês.

Apoie este projeto inscrevendo-se como voluntario na reflorestação do Malhão, Algarve no próximo dia 29 e 30 de Novembro. 
Contate-nos por:
Email: motherearthpt@gmail.com
Tel.: 920 163 145




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

hoje



segundo o calendario tibetano celebra-se o dia das dakinis e o centro Chagud no Brasil lembra o décimo-segundo aniversário do parinirvana de Chagdud Rinpoche, oferecendo 3000 lamparinas como um caminho luminoso à compaixão e sabedoria.

Lembremos também o que disse o mestre  Taranatha num espírito Rime: nunca será aceitável favorecer uma tradição destruindo outra."

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

a partir de 18 de novembro na ubp



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

dia 11 de novembro


o mestre Thay  Thich Nhat Hanhc om 88 anos foi internado em França. Ele encontra-se bem de momento e pede-se aos praticantes laicos que sigam por semna um dia vegetariano:
Thay is still in the hospital. He is OK thanks to the patriarchs. If someone want to send healing energy to Thay please ask them to keep one day per week avoiding eating beef, pork, chicken and fish (vegetarian) per week and send the merit to offer life to Thay.
That’s what we are requesting lay friends to do that now !

 segue-se em inglês a carta oficial.

Official Announcement
Thay’s present health condition and how to support Thay’s recovery

Plum Village, November 12, 2014
To all Plum Village Practice Centers,
To all Practice Centers and Sanghas World Wide,
To our Dear Beloved Friends,


With a deep mindful breath we announce to the world the news that yesterday, the 11th of November 2014 Thay, Zen Master Thich Nhat Hanh, experienced a severe brain hemorrhage. Thay is receiving 24 hour intensive care from specialist doctors, nurses and from his monastic disciples.

At present, Thay is still very responsive and shows every indication of being aware of the presence of those around him. He is able to move his feet, hands and eyes. There are signs that a full recovery may be possible.

For the last two months, Thay’s health had already been fragile due to his advanced age. He was hospitalized in Bordeaux on the 1st of November. He was gaining strength day by day until this sudden and unexpected change in his condition.

All the monasteries in the tradition of Plum Village are organizing practice sessions to generate the energy of mindfulness and to send Thay this healing and loving energy. We would like to ask the whole worldwide community of meditation practitioners to participate and support us in this critical moment. We know and trust that Thay will receive all your energy and that this will be a big support in his healing and recovery.

Our practice of stability and peace in this very moment is the best support we can offer to Thay. Let us all around the world take refuge in our practice, going together as a river to offer Thay our powerful collective energy. We are all cells of the great Sangha Body that Thay has manifested in his lifetime.

Future reports on Thay health and recovery will be posted officially at www.plumvillage.org, langmai.org, villagedespruniers.org, and www.facebook.com/thichnhathanh.

sábado, 8 de novembro de 2014

Buda Vivo Cristo Vivo de Thich Nhat Hanh

vejo o ritual do baptismo como um meio de reconhecimmento de que cada ser humano, uma vez aberto ao Espírito Santo, é capaz de manifestar as qualidades de um Buda e transformar o pecado original.-----círculo de leitores, lisboa 1999




terça-feira, 4 de novembro de 2014

dalai lama sobre comunidades religiosas


"Antigamente as comunidades religiosos eram mais isoladas. Enquanto os budistas, os mulsumanos e os cristãos ficavam nos respectivos países, pouco importava que cada grupo tivesse uma religião precisa, e um conceito bem especifico de Deus. Nos nossos dias, a situação é muito diferente. Seria suficiente que eu tentasse propagar o budismo o mais possível, e que outros responsáveis religiosos fizessem o mesmo com o cristianismo e o islão, para que mais tarde ou mais cedo surgissem conflitos. É esse o perigo.


Eu faço uma diferença entre budismo e cultura budista. Com efeito, eu notei que mesmo os tibetanos que pertencem à religião bön e os mulsumanos, respeitavam os valores da cultura tibetana. Os tibetanos mulsumanos, os do Ladakh, não os da China, tem raízes tibetanas por vezes velhas de 400 anos, e mesmo continuando a ser mulsumanos,  integram-se perfeitamente na cultura budista da compaixão.  Eu sei que alguns desses mulsumanos são infelizes quando a sua religião lhes impõe sacrificar animais durante a peregrinação a Meca." Dalai Lama, 1996
 

domingo, 2 de novembro de 2014

sobre o karma



Jigmé Khyentsé Rinpché sobre o karma: 

"na mesa à minha frente alguém pôs uma chávena. Ela incomoda-me. Como é que vou reagir? Por hábito, ficamos inertes face a uma situação conflitual. Sabemos que tal objecto, tal situação nos irrita, mas durante horas – mesmo anos – ficamos imóveis a perguntarmo-nos  (neste exemplo):

 “Quem pôs esta chávena ali?” Por fim, já não sabemos que a chávena foi a origem do problema, que entretanto ficou mais complexo. 

Não serve de nada perguntar “ porquê” é que a chávena está ali. Uma abertura correcta em relação ao karma seria: “Esta chávena está aqui, que posso eu fazer?”

Se ela nos incomoda, somos nós que devemos decidir se a queremos guardar ou utilizar...