segunda-feira, 31 de agosto de 2015

descontinuação do Blog

Informamos todos os seguidores deste blog que este canal de comunicação da União Budista Portuguesa será descontinuado a 1 de Setembro.
Toda a informação sobre as actividades promovidas pela União Budista Portuguesa e suas escolas afiliadas poderá ser encontrada no respectivo website ( http://www.uniaobudista.pt/ ) e na sua página oficial do Facebook ( https://www.facebook.com/UniaoBudistaPortuguesa ).
Quaisquer questões deverão ser dirigidas à União Budista Portuguesa (http://www.uniaobudista.pt/index.php/contactos )

Em nome da UBP

domingo, 26 de julho de 2015

a oração

Lama Padma Samten: Se durante uma viagem recitamos mantras para o beneficio da região por onde passamos e das pessoas do lugar. Mesmo que elas não ouçam ou vejam, algo acontece. É um método subtil atua mesmo á distancia"



Elizabeth-Mattis Namgyel,: "Com a oração, sempre existem os altos e baixos. A prática pede força e insistência. Quando a mente habitual quer se fechar, a oração serve como uma negação teimosa em cair no mundo cansativo e familiar do ego. Em outras horas, a mente flui sem esforço. Quando isso acontece em um grupo, toda a atmosfera volta à vida e o poder da oração é palpável e forte.
Então, como rezamos? Você pode recitar uma prece em particular ou rezar de modo espontâneo, usando suas próprias palavras. Apesar de tudo, é importante tornar nossa oração pessoal. As pessoas geralmente comentam que ajuda fazer a suplicação de forma específica para que a prática não se torne abstrata. Você pode começar focando em um amigo que está sofrendo de alguma doença ou num animal maltratado. Ou você pode suplicar para uma forma de sair de um hábito prejudicial ou vício. Às vezes, a oração naturalmente vai se desenvolver para um descanso, além de palavras e ideias, dentro da natureza insondável do ser.
Sempre me surpreende quantos pedidos de oração nós recebemos, os quão pessoais eles são e quanta coragem as pessoas têm, em pedir. Quando escutamos os pedidos, sentimos a presença de todas aquelas pessoas como se elas estivessem sentadas reunidas conosco. Suas orações nos emocionam e catalisam a nossa prática, gerando uma atmosfera geral de cura e positividade, que fala do poder da interdependência. Às vezes, eles nos escrevem de volta, dizendo como se sentiram tocados e como isso fez diferença para eles e suas pessoas queridas.

A oração é um meio que nos ajuda a seguir em frente com alguma sanidade – uma prática que nos ajuda a utilizar o mundo para despertar."

e quando não temos tempo para rezar, podemos oferecer dinheiro a um monge ou monja, numa tradição à nossa escolha, que o faça por nós. Saber que alguém algures reza por nós é um paliativo para qualquer obstáculo ou como diz uma aluna de Chogyam Trungpa:
~Barbara Stewart: "it is me who should be thanking Ani Karma, always. I met her at Dilgo Khyentse Rinpoche's cremation in Paro in 1992 -- two weeks dripping with adhistana, in the homey exoticism of Bhutan. All of us,Bhutanese and monastics and Westerners  had gathered at the purkhang site the day after the cremation, for the conclusions of the ceremonies. Vivian, knowing I'd wanted to sponsor a Shechen monk, pulled me over and introduced me to Ani Karma an nun with a strong, sweet face in her late 60's.
 I spoke no Tibetan, she spoke no English, but I stood there beside her in front of the smoky cairn of the purkhang, weeping. Every year after I have sent her some money. In return she sends me Bhutanese table scarves and photos of herself and letters in Tibetan, translated by Shechen volunteers.
 Each year she writes that she has spent many months on retreat. Sometimes she says that she went on a pilgrimage to India. She tells me about her health. And she thanks me and promises to pray for me every day.
 I am so lucky. I have an accomplished yogini praying for me, regularly. I've never doubted that I am getting the better end of the deal by far."

segunda-feira, 20 de julho de 2015

hoje

comemora-se a primeira roda da lei - chokhor duchen - em sarnath (perto de varasani, Índia) ensinando as 4 nobres verdades, a 5 fieis alunos no parque das gazelas

neste dias as acções são multiplicadas por 10 milhões.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

um livro sobre os mestres zen e os budistas gregos

http://www.wook.pt/ficha/os-mestres-zen/a/id/80792
Jacques Brosse oferece-nos uma excelente introdução ao espírito do zen, neste livro. Juntamente com as biografias são explicados certos conceitos, por ex, o karma: "Há duas maneiras de enfrentar o problema da vida e da morte: a primeira é ceder à força do karma, a segunda, deixar-se transportar pela força dos nossos votos" ou seja, ter fé na nossa prática espiritual.
2004

segunda-feira, 6 de julho de 2015

hoje é aniversario Dalai Lama: 80 anos

USA, 2015







livro "Ética
para o novo milénio"

 "Perdi o meu país aos dezasseis anos, exilei-me aos
vinte e quatro e enfrentei muitas dificuldades ao longo da minha vida." 

Hoje faz 80anos.




quinta-feira, 2 de julho de 2015

hoje é dia





de LUA CHEIA  às 03h20m. dia do Buda Amithaba.



Hoje é dia das energias locais - segundo o calendário tibetano: o dia universal da oração (Dzam Ling Chi Sang). Um bom dia para a pratica de oferendas de incenso ou colocação de bandeiras.



Hoje cortar o cabelo é auspicioso. 


segunda-feira, 29 de junho de 2015

ajudar o nepal

Chers amis,

Vous avez probablement tous entendu parler de la série de très graves tremblements de terre qui ont eu lieu au Népal le mois dernier.
La catastrophe a fait de très nombreuses victimes, et causé des dégâts matériels considérables. Les effets du séisme se sont fait ressentir jusqu’en Inde et au Tibet.

Parmi les personnes que nous connaissons, aucun décès ni blessé grave n’est à déplorer.

Les urgences vitales ont été gérées au mieux de ce qu’elle pouvaient l’être par les autorités népalaises et les ONG qui ont pu intervenir sur place.

Une fois cette étape critique passée, le travail de reconstruction qui s’annonce est énorme. La tâche est rendue encore plus immense en raison du manque de moyens techniques et financiers, et des conditions géographiques et climatiques particulièrement défavorables (la mousson approche). Le Népal se situe au 109 ème rang en terme de PIB. En temps ordinaire, la vie n’était  pas facile pour les habitants. Un désastre de cet ampleur rend la situation dramatique.

Depuis plus de trente cinq ans, Péma Wangyal Rinpotché, au travers de différentes fondations et organisations caritatives, apporte une aide au développement à différentes communautés de cette région.

Beaucoup de ces institutions, qu’elles soient monastiques ou laïques, ont été très durement touchées par la catastrophe. Tout énumérer ici serait trop long. A titre d’exemple, on peut simplement citer le cas du monastère  de Thubten Chöling, fondé par Kyabjé Trulshik Rinpotché dans la région du Solukhumbu dans l’Est du Népal. Le temple et les parties communes ont été endommagés, et les deux tiers des habitations des moines et nonnes sont détruites. Une structure de fortune en bois, tôle et plastique a été construite pour abriter dortoirs et cuisine. La mousson qui arrive, et l’hiver qui suivra va rendre les conditions de vie plus que difficile (le monastère est à 3000 mètres d’altitude).
Un autre exemple est celui du complexe scolaire créé à Maratika dans la région centrale du Népal. Ce projet, parti de rien il y a une quinzaine d’année, accueillait avant le séisme près de 800 enfants, de la maternelle à la fin du secondaire. Là aussi les destructions sont très importantes. Les salles de classe devront être reconstruites, et une aide devra être également apportée aux habitants qui se retrouvent totalement démunis.

On peut citer encore Sitapaila, le nouveau monastère de Kyabjé Trulshik Rinpotché à Kathmandou, où les dégâts sont moins importants, mais qui nécessitera des travaux importants. Le monastère de Darjeeling a également été endommagé.

Toutes ces institutions cherchent de l’aide pour reconstruire. Elles se tournent aujourd’hui vers Péma Wangyal Rinpotché qui les a si souvent aidés.

De votre côté, vous avez été nombreux à nous interroger sur les projets de Rinpotché dans ce domaine, et pour savoir comment participer à reconstruction.

Rinpotché souhaiterait agir rapidement au travers de la Kangyur Rinpoche Foundation * qui sera à même d’apporter l’aide efficace de par les circuits qu’elle a mis en place par le passé pour l’aide au développement des institutions touchées aujourd’hui.

Un compte spécifique, intitulé « secours – séisme » a été ouvert auprès de la Banque Populaire Aquitaine Centre Atlantique.

Vos contributions seront les bienvenues.

* The Kangyur Rinpoche Foundation est une « charity » de droit anglais dont l’objet est de poursuivre l’initiative humanitaire qui a débuté dans les années 1970 sous l’inspiration et la direction de Kyabjé Kangyur Rinpotché (1887-1975). L’un des principaux axes de son action est d’aider à la mise en place et au fonctionnement d’infrastructures adaptées au développement économique, éducatif et culturel des communautés himalayennes, dont les communautés tibétaines réfugiées en Inde, au Népal, au Bhoutan, au Sikkim et, depuis les années 1980, des tibétains au Tibet.

Elle dispose d’une antenne en France, qui va gérer en partie les projets de reconstruction avec le nouveau compte « secours – séisme ».

Nota : The Kangyur Rinpoche Foundation enregistrée en Grande Bretagne, ne fait pas partie des organismes visés par l’article 200 du Code général des impôts. Les dons qui lui sont faits, même sur un compte en France, ne peuvent ouvrir droit à une réduction d’impôts.

Voir les photos : http://chanteloube.pagesperso-orange.fr/nepal.htm


Bien amicalement,
L'équipe de Chanteloube

quarta-feira, 24 de junho de 2015

domingo, 21 de junho de 2015

hoje

comemora-se o solsticio às 17h38 e entrada do sol em caranguejo.


é o dia internacional do yoga:  ver no link a agenda link


e o 80º aniversario do Dalai Lama (1935-)

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O que é budismo por email | BLIA


O que é budismo por email





De 22 a 24 de Junho irei enviar-te algumas dicas simples sobre o
que é budismo, a sua origem e desenvolvimento e algumas práticas de
desenvolvimento interessantes para ti, através do budismo.

Será sempre enviado um email por ti, a inscrição é gratuita.

Convido-te também a estares presente no dia 29 de Junho, na palestra do Mestre Hsin Ting na Faculdade de Letras.



O que é budismo por email | BLIA

terça-feira, 16 de junho de 2015

hoje

dia 16 LUA Nova - 15HHO5 


Encontre a solução… | Tsering Paldron

Temos de compreender que, por muita razão que tenhamos, os factos são
apenas o que são e não há qualquer garantia de que sejam justos,
previsíveis ou controláveis. Devemos aceitar a situação como ela é, com
abertura e calma, e ajustarmo-nos à realidade o mais rápido possível em
vez de criarmos problemas suplementares. Afinal, a irritação e a
impaciência não solucionam nada, só agravam. Portanto, o mais
inteligente é relaxarmos e concentrarmos a nossa energia em resolver a
situação em lugar de a complicarmos escusadamente.


Em “O Hábito da Felicidade”



Encontre a solução… | Tsering Paldron

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Palavras do coração



"A nossa  caminhada  espiritual é longa. Por isso, devemos escolher a nossa via com cuidado, assegurando-nos  que ela engloba todos os métodos que nos levarão ao nosso objectivo. Por vezes a jornada é escarpada. Devemos aprender a diminuir o nosso passo até encontrar o passo da contemplação profunda, que é tão lento como o do caracol, e ao mesmo tempo assegurarmo-nos que não nos esquecemos do problema do nosso vizinho ou do peixe que nada nos oceanos poluídos a milhas de distância." Dalai Lama, Palavras do coração, ed. presença, 2003

domingo, 14 de junho de 2015

Não Procure o Budismo



Desfazendo Equívocos

Por Reverenda Yvonette Silva Gonçalves
Se você quer milagres, não procure o Budismo. O supremo milagre para o Budismo é você lavar seu prato depois de comer.

Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a
civilização de Atlântida, não procure o Budismo. Ele só revelará a
verdade sobre você mesmo.




Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o Budismo. Ele só pode ensinar você a se comunicar com seu verdadeiro eu.





artigo completo: Não Procure o Budismo | Budismo Petrópolis

terça-feira, 2 de junho de 2015

lua cheia - saga dawa duchen tibetano





hoje celebra-se a iluminação e parinirvana do Buda segundo a tradição tibetana. Neste dia os efeitos positivos e negativos das acções são multiplicados por 10 milhões.

O Buda identificou 4 grandes lugares de peregrinação para os seus seguidores:

1. Lumbini (Nepal): o lugar onde o Buda nasceu
2. Bodh Gaya (índia): lugar onde atingiu a iluminação.
3. Sarnath (índia): lugar onde deu o 1º ensinamento ou seja fez girar a roda do dharma.
4.  Kushinagar (índia): lugar onde o Buda entrou em parinirvana.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

vesak 2015

celbra-se o Vesak (2558) na Indonésia, Birmania, Singapura, Sri lanka e Tailãndia.

Na Tailândia realiza-se uma conferência mundial sobre budismo e crise mundial link

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O Livro Tibetano do Viver e do Morrer



O que se pode perguntar para um mestre que escreveu uma obra tão profunda e completa como O Livro Tibetano do Viver e do Morrer?  Como estar em sua amorosa presença e ainda conseguir direcionar a entrevista para obter mais informações sobre os temas abordados por ele? Um simples encontro e o prolongado aperto de mão, que durou durante todo o tempo em que estivemos juntos em São Paulo, foram suficientes para acalmar meu coração. Rinpoche responderia as perguntas feitas anteriormente durante a palestra e direcionaria as respostas abordando a questão da morte e da importância de se estar na natureza da mente, os dois pontos centrais das questões enviadas a ele por e-mail. Fui autorizada a usar trechos de seus ensinamentos realizados tanto em São Paulo, como os do Rio de Janeiro e Porto Alegre, com exceção daqueles que antecediam imediatamente a transmissão direta feita em pleno auditório da capital paulista, sem ngondro, e para pessoas de diversas tradições.
Nunca em sua vida Rinpoche daria tão abertamente esses altos ensinamentos relativos ao Dzogchen, finalizados pela fortíssima e inesperada transmissão direta destinada ao atento público presente na palestra A Quintessência do Livro Tibetano do Viver e do Morrer, em São Paulo. “Dei a transmissão porque vi que havia condições auspiciosas para isso”, me disse ele depois com sorriso. Rinpoche também havia se referido ao fato de que não sabia se voltaria de novo ao Brasil. Portanto, estar junto ao público brasileiro poderia ser uma oportunidade única, que certamente ele não quis desperdiçar. Nesta edição da revista Bodisatva você poderá ler as respostas de Rinpoche sobre a vida e a morte, e na Bodisatva online, um extenso relato sobre a natureza da mente. Acompanhe agora suas palavras.
Bodisatva:
Por que temos tanto medo da morte?
Sogyal Rinpoche:
Porque por trás do medo da morte está o medo de encarar a si mesmo. O instante da morte é o momento da verdade. Ela é como um espelho, no qual o verdadeiro sentido da vida está refletido. Na tradição monástica cristã há uma expressão em latim,  memento mori, que significa lembre-se da morte, ou mais especificamente, lembre-se de que vai morrer. Se você se lembrar da morte, vai entender o que é a vida. A morte é a fundação e o verdadeiro coração do caminho espiritual. Se você se recordar de que vai morrer, vai se lembrar da preciosidade da vida – e essa verdade está presente em todas as grandes tradições: budismo, cristianismo, hinduísmo… Pensar na morte é o cerne do caminho espiritual. Milarepa, o grande santo e poeta que inspirou milhões de seres, disse: Aterrorizado pela morte, refugiei-me nas montanhas, meditei muitas e muitas vezes sobre a incerteza da hora da morte. Mas ao conquistar a fortaleza da natureza da mente infinita e imortal, todo o medo acabou para sempre. É por isso que o meu livro fala tanto dessa contemplação da hora da morte. Existe também uma citação de Maomé. Quando perguntaram a ele como você faz para polir o coração, como você se livra da ferrugem, das aparas do coração? Maomé respondeu: Pela lembrança de Deus e por muito pensar na morte. De fato, pensar na morte é muito próximo de se pensar em Deus, porque a morte traz para você o que Deus é. Mas infelizmente, na vida contemporânea as pessoas não vêem a vida e a morte como um todo. Com isso ficam muito apegadas à vida e rejeitam e renegam a morte. Hoje em dia as pessoas também pensam na morte como um tipo de derrota ou de perda. Mas do ponto de vista espiritual, a morte não é uma tragédia a ser temida, mas uma oportunidade preciosa para a transformação.
Bodisatva:
Só que nos esquecemos de lembrar da morte durante a vida, estamos ocupados demais para isso.
Sogyal Rinpoche:
Sim, nos mantemos muito atarefados o tempo todo: é uma preguiça ativa (risos). A morte, por sua vez, nos diz que é preciso parar de nos enganar – quando você acertar as contas com a morte você acerta as contas com sua vida. A morte é o sinónimo da vida, o seu prolongamento; na verdade, ela é a parte mais importante da existência, por isso é que ela acontece no final! (risos). É a morte que vai nos apresentar a conta. Tem uma expressão em francês que diz: Agora, a dolorosa, por favor! (risos). Mas com frequência, só começamos a pensar na morte quando estamos para morrer. Não é um pouco tarde demais? Os ensinamentos nos mostram que deveríamos nos preparar para morrer agora, quando estamos bem, com estado mental feliz, principalmente nos momentos em que você está inspirado, predisposto à introspecção, quando começamos a ver a vida e a morte de uma maneira mais profunda.
Bodisatva:
O que dizer ou fazer quando se está ao lado de uma pessoa que vai morrer?
Sogyal rinpoche:
Sempre que você estiver com uma pessoa que está morrendo, enfatize o que ela realizou de bom durante a vida, o que ela fez bem. Ajude-a a se sentir tão construtiva e feliz quanto possível com relação à existência dela. Concentre-se nas suas virtudes e não nos seus defeitos. A pessoa que está morrendo fica muito vulnerável à culpa, ao remorso e à depressão. Permita que ela expresse isso livremente, ouça-a e escute o que ela diz. Mas, ao mesmo tempo, se o momento for apropriado, não deixe de lembrá-la da sua natureza búdica e encorajá-la a repousar na natureza da mente. Em especial, lembre à pessoa que a dor e o sofrimento não são tudo o que ela é. Encontre a maneira mais hábil e sensível de inspirá-la e dar-lhe esperança, ao invés de enfatizar seus erros. Assim ela poderá morrer num estado mental mais pacífico.
Bodisatva:
Qual a melhor maneira de estar ao lado de quem vai morrer?
Sogyal rinpoche:
Acho muito importante dizer isso: quando você ajudar alguém nessa condição, o mais importante não é o que você diz, mas o que você é, a sua presença. E a sua presença é especialmente importante se você for um praticante que tem a realização da natureza da mente e puder permanecer nesse estado de realização na presença daquele que está morrendo. Isso é extremamente poderoso. Vejo isso por mim mesmo: nessa presença, o amor que é sustentado pela natureza da mente é o amor apoiado pelos budas. Você se torna como um embaixador deles. O amor inspirado pela natureza da mente é tão poderoso que pode eliminar o medo do desconhecido. Se você puder introduzir essa paz – sentindo muita paz, vendo a natureza da mente se manifestando de uma forma muito poderosa, como uma radiação quente – se você conseguir isso será extraordinariamente poderoso e benéfico.
Bodisatva:
O que mais pode contribuir para que a pessoa sinta um maior conforto psicológico e espiritual nesse momento?
Sogyal Rinpoche:
A pessoa que está morrendo precisa ter a coragem de perceber que esse é o tempo da reconciliação com amigos e parentes, e assim eliminar do coração todo ódio e ressentimento. Nem todos crêem numa religião formal, mas acho que quase todos acreditam no perdão, e você pode ser de incomensurável utilidade para a pessoa que vai morrer ajudando-a a ver a aproximação da morte como o tempo perfeito para reconciliação e a avaliação de uma vida. Todas as religiões dão ênfase ao poder do perdão, que nunca é tão necessário e tão profundamente sentido como no momento da morte. Por meio do perdoar e do ser perdoado, nos purificamos da escuridão gerada por aquilo que fizemos e nos preparamos para a jornada através da morte. Com base na sua prática espiritual, você pode transformar o ambiente e inspirar sentimentos sagrados como amor, compaixão e devoção na mente da pessoa que está morrendo, no momento da sua morte.
Bodisatva:
E como ajudar uma pessoa assustada que não tem nenhuma crença espiritual?
Sogyal Rinpoche:
Um conselho simples é: olhe nos seus olhos com amor e confiança, seja claro, invoque a presença dos Budas ou de Cristo e dê-lhes o ensinamento essencial porque no momento da morte eles vão estar abertos a isso, particularmente se você for genuíno e autêntico e não estiver pregando. Outra coisa importante quando formos ajudar alguém que está morrendo é dar o nosso amor, com todo o coração, sem quaisquer condições, tão livres quanto possível de apego, sem medo, destemidamente, amar.
Bodisatva:
E se a pessoa não quiser falar sobre a morte ou não aceitar que está morrendo?
Sogyal Rinpoche:
Você ainda pode amá-la, dizer coisas amorosas sem mencionar a morte. Se entramos em contato com a natureza da nossa mente, se a estabilizamos através da nossa prática espiritual e a integramos às nossas vidas, então o amor que temos para dar só pode ser profundo, porque vem de uma fonte mais profunda, do nosso ser mais interno, que é o coração da nossa natureza iluminada. Esse coração tem um poder especial de libertar a nós mesmos ou a alguém que esteja morrendo. Esse tipo de amor, que é o amor além de todo apego, é como o amor divino de que se fala tanto no cristianismo quanto no hinduísmo; é o amor de todos os budas. Nesse estado sem fabricação, mesmo sem pensar, podemos sentir a presença de Buda sem esforço. É como se tivéssemos nos tornado o representante dele, com nosso amor apoiado pelo seu amor e infundido com a sua bênção e compaixão. O amor que brota verdadeiramente da natureza da mente é tão abençoado que tem o poder de dissipar o medo do desconhecido, de dar refúgio à ansiedade e de dar serenidade, paz e, além disso, trazer inspiração na morte e além dela. E descobriremos por nós mesmos que quanto mais conseguirmos purificar nossa prática espiritual, mais natural e mais eficaz será a ajuda espiritual que daremos para os que estão necessitados, porque o modo como nós somos, o nosso ser, a nossa presença é muito mais importante do que o que dizemos ou fazemos. E quando você ajuda desta forma, é extraordinário, não só para a pessoa que está morrendo, mas também para a família.
Bodisatva:
Existe algum treinamento para quem quiser se aperfeiçoar nessa prática?
Sogyal Rinpoche:
Sim. Você pode desenvolver um treinamento chamado cuidado espiritual com elementos emocionais e práticos. São empregados elementos da espiritualidade, mas sempre relacionado à religião da pessoa. Até agora já treinamos cerca de 30 mil pessoas, entre enfermeiros e médicos, sobre como dar esse cuidado espiritual no momento da morte.
Bodisatva:
Além de estar na natureza da mente, para quem tem essa realização, o que mais pode ser feito nesse momento?  Como podemos nós mesmos nos preparar para morrer e qual a maneira mais simples de se realizar o phowa?
Sogyal Rinpoche:
Outro ponto essencial é unir a sua mente com a mente iluminada dos budas – é a prática mais importante nesse momento, e é a que eu vou expor agora. Phowa, em tibetano, quer dizer “transferência da consciência”. A prática do phowa é mais poderosa e valiosa no momento da morte de todas que eu já encontrei. Eu vejo um grande número de pessoas praticando-a com entusiasmo durante a vida. E gostaria de enfatizar que qualquer um pode fazer essa prática. Ela é simples, mas é a prática mais essencial que podemos fazer para nos prepararmos para nossa própria morte, e é também a prática principal que eu ensino aos meus alunos para ajudarem os seus amigos e parentes que estejam morrendo.
Bodisatva:
O senhor poderia descrevê-la?
Sogyal Rinpoche:
Sim. No céu à sua frente, você invoca a corporificação de qualquer verdade em que você crê sob a forma de uma luz radiante. Escolha qualquer ser divino ou santo de quem você se sinta próximo: para os cristãos pode ser Deus ou Cristo, para os budistas pode ser Amitaba, que é o Buda de luz ilimitada e a deidade mais associada com o momento da morte. Se você não se sente conectado com nenhuma figura em especial, simplesmente imagine uma forma em pura luz dourada no céu diante de você. O ponto importante é que considere que o ser que você está visualizando ou que sente presente, seja a corporificação da verdade, sabedoria e da compaixão de todos os budas, mestres, santos e seres iluminados. Não se preocupe se você não conseguir visualizá- los claramente; apenas sinta-os em seu coração, preencha o coração com a sua presença e tenha confiança de que eles estão ali. Na segunda parte dessa prática, foque sua mente, seu coração e sua alma nessa presença que você invocou. Reze a ela que por meio de suas bênçãos, graça e orientação, por meio do poder da luz que flui dela para você, que todo o carma negativo dos seus pecados, emoções destrutivas e bloqueios sejam purificados e removidos. Peça para ser perdoado por todo o dano que possa ter pensado ou causado. E que possa realizar essa prática profunda de phowa, da transferência de consciência, e que possa morrer de uma forma boa e pacífica. E por meio do triunfo de sua morte, que você seja capaz de beneficiar todos os seres, vivos ou mortos. Essa é a oração. Na terceira parte, você imagina que a presença de luz que você invocou ficou tão comovida com sua oração sincera que responderá com um sorriso amoroso e emanará compaixão e amor na forma de raios de luz que saem do seu coração. À medida que esses raios de luz tocam e penetram você, eles eliminam todo o seu carma negativo, as suas emoções negativas que são a causa do seu sofrimento. Você vê e sente que está completamente imerso em luz e amor. Em quarto lugar, você sente nesse momento que está completamente purificado e curado pela luz que fluiu daquela presença. Considere agora que seu próprio corpo, criado pelo carma, se dissolve em luz. Esse corpo de luz que você agora é voa até o céu e se funde inseparavelmente com a presença bem aventurada daquela luz. Permaneça nesse estado de união com a presença pelo maior tempo possível.
Bodisatva:
Como podemos fazer o phowa para quem está morrendo?
Sogyal Rinpoche:
O princípio e a sequência dessa prática para ajudar alguém que morre são exatamente os mesmos. A única diferença é que você visualiza o Buda ou o ser espiritual acima da cabeça de quem está morrendo. Você imagina que raios de luz emanam em direção a essa pessoa e que purificam todo o ser dela. Aí a pessoa se dissolve em luz e se funde nessa presença espiritual. Você pode fazer essa prática durante a doença de um ente querido e, particularmente mais importante, quando a pessoa estiver dando o seu último suspiro, no momento exato da morte ou imediatamente após a respiração ter parado, antes que alguém toque o corpo, antes dele ser tocado ou perturbado de qualquer forma. Se a pessoa que está morrendo sabe que você está fazendo essa prática para ela e sabe qual é a prática, isso é uma grande fonte de inspiração e de conforto.
Bodisatva:
E o que não deve ser feito quando nos preparamos para a morte?
Sogyal Rinpoche:
O grande mestre Dzogchen Dodrubchen Jigme Tenpe Nyima, que foi mestre do meu mestre, deu o seguinte ensinamento: “Não se sinta nervoso ou apreensivo a respeito da morte, ao contrário, tente elevar o seu espírito e cultivar um sentimento de clara alegria trazendo à mente todas as coisas positivas e virtuosas que você fez no passado. E sem sentir qualquer traço de orgulho ou arrogância, celebre as suas realizações uma por uma”. O principal é o seguinte: no momento da morte, abra mão de apego e aversão. Mantenha coração e mente puros. E se você é um praticante espiritual, se reconheceu a natureza da mente e praticou em sua vida, no momento da morte, lembre-se da luminosidade básica e da clara luz surgindo. Na verdade, quando um grande praticante morre é isso que se diz a ele. Para os meus alunos que estão no momento da morte, é esse o conselho que eu dou, lembrem-se da natureza da mente, da clara luz. Fiz um DVD sobre isso, que também pode ser mostrado para o praticante que está próximo do processo de morrer. É como se eu estivesse ao seu lado, presente. Pensem em mim e eu estarei ali.”